2h atrás
Polymarket negocia captação de US$ 1 bi com valuation acima de US$ 20 bi e se aproxima da Kalshi
A Polymarket está em conversas iniciais para levantar cerca de US$ 1 bilhão a um valuation acima de US$ 20 bilhões, informou a Bloomberg em 4 de agosto. Se a rodada se concretizar, a startup de mercados de previsão reduzirá a distância para a rival Kalshi, que alcançou valuation de US$ 22 bilhões em maio. A Polymarket não confirmou a operação e recusou comentar; valores, condições e nomes de investidores ainda são preliminares.
Como esse valuation se encaixa no histórico recente
O alvo acima de US$ 20 bilhões implicaria um patamar ao menos cerca de 33% superior ao valuation de US$ 15 bilhões reportado pela Bloomberg em abril e mais que o dobro do número citado para uma rodada em outubro de 2025 (cerca de US$ 9 bilhões). A Intercontinental Exchange (ICE) afirmou, por sua vez, que seu investimento de outubro refletiu um valuation de aproximadamente US$ 8 bilhões antes do aporte. As diferenças tendem a decorrer de bases de avaliação distintas, não necessariamente de contradição.
O quadro de financiamento de abril também traz divergências entre itens reportados e confirmados. A Bloomberg disse que cerca de US$ 1 bilhão foi levantado a um valuation de US$ 15 bilhões, com participação de D.E. Shaw e G Squared. Separadamente, a ICE confirmou um investimento de US$ 600 milhões em 27 de março e já havia aportado US$ 1 bilhão na Polymarket em outubro de 2025. A ICE não divulgou o valuation associado ao aporte de março.
Retorno ao mercado regulado dos EUA e lançamento do produto
A Polymarket voltou a operar no mercado regulado americano. Registros da CFTC listam a QCX LLC (operando como Polymarket US) como designated contract market desde 9 de julho de 2025. A plataforma protocolou mudanças de regras que abrangem taxas, programas de liquidez, monitoramento e procedimentos de negociação. A Bloomberg informou que a Polymarket abriu sua exchange nos EUA após a captação de abril.
A página de acesso nos EUA indica um rollout por lista de espera, sugerindo liberação gradual, e não um lançamento imediato em todo o país.
Receita e tração de negociação
Fontes ouvidas pela Bloomberg afirmaram que a receita anualizada da Polymarket mais que triplicou desde abril, superando US$ 1,2 bilhão; a Reuters reportou que o indicador havia passado de US$ 1 bilhão em junho. Trata-se de métricas anualizadas (projeções com base no desempenho recente), não de receita anual auditada.
Os volumes mostram forte crescimento nos EUA, mas expansão desigual no agregado. Em julho, o volume combinado de Polymarket, Polymarket US e Kalshi atingiu recorde de US$ 50,6 bilhões: a Kalshi liderou com US$ 37,7 bilhões; a Polymarket US avançou 54%, para US$ 5 bilhões; já a operação internacional da Polymarket recuou 26%, para US$ 7,9 bilhões.
Comparação direta com a Kalshi
A Kalshi anunciou em 7 de maio uma Série F de US$ 1 bilhão a um valuation de US$ 22 bilhões, liderada pela Coatue, com investidores incluindo Sequoia, a16z, IVP, Paradigm, Morgan Stanley e ARK. A empresa destacou crescimento institucional expressivo: alta de 800% no volume institucional em seis meses. Também informou que o volume anualizado de negociação subiu de US$ 52 bilhões para US$ 178 bilhões (dados fornecidos pela companhia).
A Kalshi ainda declarou concentrar mais de 90% da atividade de mercados de previsão nos EUA. Dados independentes de julho mostraram a Kalshi processando quase três vezes o volume combinado das operações americana e internacional da Polymarket.
Quem avalia investir na Polymarket pode estar precificando elementos além do volume doméstico: alcance internacional, infraestrutura de liquidação via cripto, força de marca e conexões com a ICE podem sustentar um valuation mais alto, mesmo com a Kalshi exibindo uma pegada maior em negociação.
Ressalvas sobre valuation e principais riscos
Volume, por si só, não define valor. Taxas, retenção de clientes, custos de compliance, composição dos mercados e comportamento de negociação pós-evento influenciam a qualidade da receita. Em julho, o open interest caiu após a Copa do Mundo, apesar do recorde de negociação no mês.
A incerteza regulatória e jurídica segue sendo um risco relevante. Alguns estados defendem que certos contratos de eventos, especialmente ligados a esportes, configuram jogo de azar segundo a legislação estadual. O Nevada Gaming Control Board apresentou em janeiro uma ação civil pedindo que a Justiça impeça a Polymarket e a QCX de oferecer o que considera apostas não licenciadas em Nevada.
Também persiste a disputa sobre se o Commodity Exchange Act concede à CFTC autoridade exclusiva sobre plataformas de contratos de eventos registradas no âmbito federal; o desfecho pode redefinir o acesso ao mercado.
Há estados mais receptivos. A Carolina do Norte aprovou em julho uma lei que reconhece mercados de previsão regulados pela CFTC e impõe um imposto de 6% sobre a receita de taxas de negociação a partir de 2027.
Conclusão
Uma rodada confirmada de US$ 1 bilhão com valuation acima de US$ 20 bilhões reduziria a diferença para a Kalshi e reforçaria o apetite de investidores por mercados de previsão, à medida que o setor avança em contratos ligados a esportes, economia e cripto. A operação, porém, ainda está em fase inicial, sem term sheet ou data de fechamento divulgados. O potencial de valorização tende a ser avaliado junto aos riscos regulatórios, legais e de qualidade de receita conforme o mercado amadurece.