4h atrás
Bot de MEV antecipa tentativa de ataque no Ethereum e captura US$ 7,8 milhões em rsETH
Um ataque de grande escala que teria como alvo o rsETH na rede Ethereum foi interrompido antes de ser concluído após um bot de MEV tomar a dianteira e executar a operação primeiro, segundo a CoinMarketCap.
Registros on-chain indicam que o bot, identificado como Yoink, conseguiu inserir sua transação antes da transação original do atacante no mesmo bloco, apropriando-se de 2.900 rsETH — avaliados em cerca de US$ 7,8 milhões. Dados monitorados pelas empresas de segurança PeckShield e BlockSec mostram que o episódio ocorreu no bloco 25980525 do Ethereum. A transação do Yoink foi posicionada no topo do bloco; já a transação do ataque entrou depois e acabou revertida.
Pesquisadores avaliam que o bot detectou a oportunidade de lucro no mempool ou durante a etapa de montagem do bloco e enviou uma transação concorrente com taxa mais alta para garantir prioridade. Pelo fluxo de fundos, após receber os 2.900 rsETH, o Yoink transferiu 2.882,37 rsETH para outro endereço e direcionou os 17,63 rsETH restantes por meio do Uniswap v4. Na sequência, a rota associada devolveu 18,95 ETH ao contrato do Yoink, dos quais 18,93 ETH foram enviados ao construtor de blocos. A leitura é que quase todo esse ETH foi usado para disputar prioridade de inclusão, e não para manter exposição visando rendimento.
O caso envolve o executor de módulos do Safe. A BlockSec afirmou que a causa raiz está em um contrato executor ligado a um módulo habilitado no Safe, com falha na verificação de autorização. Segundo a análise, chamadas controladas pelo atacante conseguem explorar esse executor para entrar no caminho confiável da carteira e acionar operações que não deveriam ser acessíveis diretamente de fora.
O Safe é um sistema de carteira em smart contract amplamente utilizado, com suporte a multisig e à ativação de módulos para executar ações específicas. As avaliações atuais apontam para configurações específicas de carteiras e problemas no executor relacionado, sem sinais de comprometimento dos contratos centrais do Safe.
A Blockaid acrescentou que o atacante teria explorado um "keeper multicall" público para encaminhar um módulo customizado de liquidez do Uniswap v4 a um "hook pool" sob seu controle. Em seguida, teria decomposto aEthrsETH em rsETH, gerando os ativos disputados nessa transação.
O destino final dos fundos ainda não foi confirmado. Até as informações citadas, não foi divulgado quem controla o endereço que recebeu 2.882,37 rsETH, e permanece incerto se os valores serão devolvidos. O material também não informa se há esforços de recuperação, negociações de recompensa (bounty) ou medidas judiciais em andamento.
O episódio reforça que MEV não se limita a arbitragem: em cenários de ataque, pode interferir diretamente na disputa por ativos. Quem entra primeiro no bloco — e quem paga as maiores taxas de prioridade — costuma determinar para onde o dinheiro vai.
As perdas de segurança em DeFi continuam elevadas em 2026. Estatísticas citadas no artigo indicam que, nos primeiros oito meses do ano, as perdas de protocolos por ataques somaram ao menos US$ 1,3 bilhão. O rsETH também esteve ligado a outro incidente de segurança em abril, mas pesquisadores afirmam que os vetores de vulnerabilidade são diferentes.
O texto ainda lembra que o Departamento de Justiça dos EUA já apresentou acusações criminais relacionadas a certas atividades de MEV, mas nenhum órgão regulador ou de aplicação da lei anunciou ação específica sobre a transação do Yoink.