ETFs de Bitcoin à vista nos EUA registram saídas líquidas de US$ 4,06 bilhões em junho de 2026
Há dois anos, a estreia dos ETFs de Bitcoin à vista nas bolsas americanas era vista como o início de um ciclo de demanda institucional mais estável. Junho de 2026, porém, aponta na direção oposta. Os ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA acumulam cerca de US$ 4,06 bilhões em saídas líquidas no mês, segundo dados da SoSoValue. É o pior resultado desde o início das negociações, em janeiro de 2024, superando o recorde anterior de US$ 3,56 bilhões registrado em fevereiro de 2025.
Os números por trás da fuga de recursos ajudam a dimensionar o movimento. Entre 15 de maio e 3 de junho, os produtos registraram 13 pregões consecutivos de resgates líquidos, a maior sequência já observada. Nesse intervalo, investidores retiraram aproximadamente US$ 4,4 bilhões.
O ritmo semanal também tem sido forte. Na semana encerrada em 6 de junho, as saídas líquidas somaram US$ 1,72 bilhão, o maior volume semanal desde fevereiro de 2025. Considerando as quatro semanas anteriores, os resgates acumulados chegaram a US$ 5,4 bilhões; em seis semanas, o total sobe para US$ 5,94 bilhões.
Nenhum fundo ficou imune, mas o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock — maior ETF de Bitcoin à vista por patrimônio — concentrou a maior pressão: em uma semana reportada, cerca de US$ 860 milhões deixaram o produto.
No mercado à vista, o Bitcoin oscilou no período entre US$ 58.000 e US$ 60.000. O patrimônio combinado sob gestão (AUM) dos ETFs de Bitcoin à vista nos EUA recuou a partir de cerca de US$ 104 bilhões, queda explicada tanto pelas saídas quanto pela desvalorização das posições remanescentes em Bitcoin.
O movimento tem implicações que vão além do preço do ativo. Desde o lançamento, os ETFs à vista alteraram a dinâmica do mercado e passaram a ser o principal canal de entrada de capital novo, sobretudo institucional. Em fases de forte captação em 2024 e no início de 2025, esses fundos chegaram a comprar mais Bitcoin por dia do que os mineradores conseguiam produzir.
Fevereiro de 2025 serve como referência: naquele mês, US$ 3,56 bilhões foram resgatados ao longo de 30 dias. Em junho, os US$ 4,06 bilhões representam um volume 14% maior, após uma sequência de vendas que se estendeu por várias semanas e começou antes mesmo do mês.
A redução do AUM a partir de US$ 104 bilhões também traz questões práticas para o setor, como a pressão sobre a receita de taxas dos emissores e a sustentabilidade econômica de ETFs menores caso a tendência persista. BlackRock e Fidelity têm fôlego para atravessar alguns meses difíceis; para entrantes menores, com margens mais estreitas e base de ativos reduzida, o cenário pode ser bem menos confortável.