ETFs à vista de Bitcoin e Ethereum captam mais de US$ 1 bi; BlackRock fica com 80% dos aportes
Resumo de mercado por IA
ETFs à vista de Bitcoin e Ethereum listados nos EUA atraíram mais de US$ 1 bilhão em entradas semanais, o nível mais forte desde abril, sinalizando demanda renovada por exposição cripto regulada. A BlackRock dominou os fluxos, com IBIT e ETHA capturando mais de 80% das entradas da categoria, destacando a concentração institucional. O momento, junto às perdas relatadas de carteiras Coldcard, volta a direcionar o mercado para os trade-offs de custódia, potencialmente reforçando a preferência por infraestrutura institucional no curto prazo.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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ETFs à vista de Bitcoin e Ethereum listados nos EUA atraíram mais de US$ 1 bilhão em recursos nesta semana, no maior ritmo de entradas desde abril, sinalizando retomada da demanda por produtos cripto regulados.
Segundo dados da SoSoValue, os ETFs à vista de Bitcoin registraram US$ 853,54 milhões em entradas líquidas na semana encerrada em 7 de agosto, o melhor resultado em quase quatro meses. Houve captação em todas as sessões: US$ 170,09 milhões na segunda-feira, US$ 211,49 milhões na terça e US$ 244,42 milhões na quarta, com arrefecimento no fim da semana. O volume superou os cerca de US$ 824 milhões da semana de 24 de abril e foi o mais forte desde a semana encerrada em 17 de abril, quando os fundos de Bitcoin somaram aproximadamente US$ 996 milhões.
O destaque ficou para a BlackRock. O iShares Bitcoin Trust (IBIT) respondeu por cerca de US$ 693 milhões do total semanal, o que significa que a maior gestora do mundo ficou com mais de quatro quintos do dinheiro novo destinado aos ETFs à vista de Bitcoin. Desde a estreia nos EUA em janeiro de 2024, o conjunto desses produtos acumula mais de US$ 52 bilhões em entradas líquidas e administra por volta de US$ 80 bilhões em ativos líquidos.
Falha de segurança em Coldcard reacende debate sobre custódia
A volta do apetite por ETFs ocorreu dias após a divulgação de uma falha de segurança envolvendo carteiras físicas Coldcard, trazendo o tema de custódia de volta ao centro do debate. Pesquisadores da TRM Labs estimaram que atacantes desviaram cerca de 1.816 BTC, equivalentes a aproximadamente US$ 116 milhões, de mais de 5.200 endereços a partir de 30 de julho. Outras estimativas apontam perdas em torno de US$ 130 milhões, enquanto o rastreamento do roubo continua.
O analista de ETFs da Bloomberg Intelligence, Eric Balchunas, chamou atenção para a coincidência temporal entre as entradas nos fundos e as perdas associadas à Coldcard, sem afirmar que investidores afetados pela autocustódia tenham migrado diretamente para ETFs. Para ele, o episódio pode reforçar o argumento a favor da custódia institucional entre investidores cujo objetivo principal é manter exposição de longo prazo ao Bitcoin, e não usar o ativo para transações ou pagamentos resistentes à censura. Balchunas avalia que, após um incidente envolvendo hardware desenhado para manter o Bitcoin fora do sistema financeiro tradicional, a infraestrutura de segurança de grandes instituições tende a se tornar mais difícil de ignorar.
Até o momento, não há evidências de que o caso Coldcard tenha causado diretamente as entradas desta semana. Ainda assim, o momento recoloca em foco o custo-benefício entre autocustódia e custódia institucional, justamente quando os fundos regulados de Bitcoin exibem a demanda mais forte em meses.
ETFs de Ethereum ampliam recuperação de cinco semanas
Os ETFs focados em Ethereum mostraram melhora ainda mais acentuada. Eles captaram US$ 244,94 milhões na semana, o melhor desempenho desde abril, e estenderam para cinco semanas a sequência de entradas líquidas. No período, o fluxo acumulado soma cerca de US$ 566 milhões, a maior série semanal de captação neste ano. É também a mais longa desde uma sequência de 14 semanas entre maio e agosto de 2025, quando o segmento atraiu quase US$ 10 bilhões.
Diferentemente dos fundos de Bitcoin, os ETFs de Ethereum começaram a semana no negativo, com saídas líquidas de US$ 11,42 milhões na segunda-feira. Depois disso, o fluxo virou: entradas de cerca de US$ 53,75 milhões na terça, US$ 60,86 milhões na quarta e US$ 92,15 milhões na quinta, além de mais US$ 49,60 milhões na sexta.
A BlackRock voltou a concentrar a maior parte das compras. O iShares Ethereum Trust (ETHA) captou aproximadamente US$ 203 milhões na semana, mais de 80% do total da categoria. Com isso, o melhor resultado desde abril tanto para ETFs de Bitcoin quanto de ETH ficou, em grande medida, associado à gestora.
Somados, IBIT e ETHA absorveram cerca de US$ 896 milhões, ou mais de quatro quintos dos quase US$ 1,1 bilhão direcionados aos dois grupos. O movimento representa uma virada relevante em relação aos fluxos mais fracos observados durante grande parte do verão e oferece o sinal mais claro em meses de que investidores estão recompondo exposição via veículos regulados de Wall Street.