Departamento de Justiça dos EUA apreende US$ 560 mil em criptoativos ligados ao Hamas e às Brigadas AlQassam

Resumo de mercado por IA
A apreensão pelo DOJ/FBI de US$ 560.000 em ativos digitais vinculados a arrecadação de fundos ligada ao Hamas, junto com derrubadas de domínios e servidores, reforça a escalada da pressão de fiscalização e conformidade sobre as vias de pagamento cripto. O uso repetido de USDT destaca a vigilância de stablecoins, heurísticas de rotação de carteiras e potenciais expectativas de congelamento em nível de emissor. No curto prazo, isso eleva o risco regulatório e operacional para fluxos com forte presença de USDT, particularmente envolvendo jurisdições sancionadas e padrões de ofuscação.
Nível de impacto
● Médio
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▼ Baixista
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O Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) vem há anos rastreando recursos de grupos terroristas na blockchain. A etapa mais recente indica que a arrecadação em criptoativos do Hamas foi mais duradoura do que o grupo reconheceu publicamente. Em 1º de setembro de 2026, DOJ e FBI anunciaram uma série coordenada de ações que resultou na apreensão de mais de US$ 560 mil em ativos digitais atribuídos ao Hamas e ao seu braço militar, as Brigadas AlQassam. As autoridades também derrubaram domínios e servidores usados para receber doações. Como foram as apreensões A primeira medida de maior impacto ocorreu em março de 2025, quando investigadores apreenderam aproximadamente US$ 201,4 mil vinculados a uma rede de endereços de carteira que se revezavam. Esses endereços movimentaram, em conjunto, mais de US$ 1,5 milhão desde o fim de 2024. A estratégia buscava dificultar o rastreamento ao circular rapidamente os fundos por uma sequência de contas antes do saque. Em vários episódios, o token mais recorrente foi o USDT, stablecoin emitida pela Tether. O escritório do FBI em Albuquerque liderou a análise on-chain, conseguindo rastrear fluxos de USDT até contas ligadas ao Hamas, apesar do uso de carteiras temporárias. Em julho de 2025, o DOJ apresentou uma ação civil de confisco mirando cerca de US$ 2 milhões em moeda digital associados a uma empresa sediada em Gaza, a Buy Cash Money and Money Transfer Company, e ao seu proprietário, Ahmed M.M. Alaqad. Ambos já haviam sido sancionados pelo Tesouro dos EUA. Segundo o DOJ, uma conta relacionada à Buy Cash recebeu pelo menos US$ 4 milhões direcionados a operações do Hamas, o que coloca o alvo de US$ 2 milhões como uma recuperação parcial de um fluxo bem maior. Além dos valores, o DOJ assumiu o controle de infraestrutura na internet usada na captação, incluindo domínios e servidores. O Hamas disse que parou. Não parou. Em 2023, o Hamas afirmou publicamente que encerraria a arrecadação via criptoativos. A declaração veio após pressão de corretoras e empresas de análise de blockchain que passaram a sinalizar com mais rigor endereços associados ao grupo. As ações do DOJ apontam outra realidade: as solicitações de doação continuaram em plataformas criptografadas mesmo após o anúncio. O DOJ afirma manter uma campanha contínua contra redes digitais de financiamento do Hamas desde pelo menos 2020. Empresas como Chainalysis e TRM Labs desenvolveram ferramentas capazes de agrupar endereços por comportamento, identificar contas de depósito em exchanges e mapear grafos de transações ao longo de milhares de saltos. A capacidade do FBI de vincular carteiras rotativas, usadas por pouco tempo, a uma única operação afiliada ao Hamas decorre diretamente desse avanço analítico. Implicações para compliance no mercado cripto Corretoras e provedores de carteiras que operam USDT em grande escala devem esperar maior escrutínio sobre transações com padrão de rotação ou com origem em jurisdições sob sanções do Tesouro. O caso Buy Cash é ilustrativo: um negócio de remessas sancionado teria processado pelo menos US$ 4 milhões em recursos direcionados ao Hamas por meio de endereços on-chain identificáveis, e o rastro permaneceu disponível por tempo suficiente para sustentar um pedido federal de confisco. Para emissores de stablecoins, a presença recorrente do USDT tende a intensificar o debate sobre a capacidade de congelamento no nível do emissor. A Tether já congelou endereços ligados a atividades ilícitas em casos anteriores quando acionada por solicitações das autoridades.