CEO da Strategy diz que empresa volta a comprar bitcoin ainda em 2026

O CEO da Strategy, Phong Le, afirmou que a companhia voltará a aumentar sua posição em bitcoin ao longo do restante de 2026, mesmo após ter realizado quatro vendas desde maio. Em entrevista à Fox Business, Le defendeu que as alienações recentes não representam abandono da estratégia de acumulação: segundo ele, a empresa comprou cerca de 175.000 BTC neste ano e vendeu aproximadamente 7.000 BTC — uma relação de 25 para 1 entre compras e vendas. As vendas chamaram atenção por destoarem do discurso histórico de "nunca vender" associado ao presidente do conselho, Michael Saylor. A transação mais recente ocorreu entre 3 e 9 de agosto, quando a Strategy vendeu 1.690 BTC a um preço médio de US$ 64.262, levantando cerca de US$ 108,6 milhões. Após as operações, a empresa detém 840.447 BTC, adquiridos a um custo total próximo de US$ 63,36 bilhões, com preço médio de compra de US$ 75.385 por unidade. Isso indica que o lote vendido em agosto foi liquidado abaixo do próprio custo médio de aquisição da companhia. O mercado acompanha de perto o impacto sobre o valuation. Historicamente, as ações da Strategy negociaram com prêmio em relação ao valor do bitcoin em tesouraria, diferença observada pelo mNAV (múltiplo do valor patrimonial líquido), que compara a capitalização de mercado ao valor do estoque de BTC. Esse prêmio chegou a cerca de 3,4x em novembro de 2024. Em 3 de agosto, o mNAV básico havia caído para aproximadamente 0,68x, sinalizando que o mercado precificava a empresa abaixo do valor de seus próprios bitcoins. Le classificou as vendas como gestão de curto prazo do balanço. Segundo ele, os recursos foram direcionados para pagamento de dividendos de ações preferenciais, recompras das preferenciais STRC e reforço da reserva em dólares, e não como saída da estratégia ligada ao bitcoin. Saylor, por sua vez, ao ser questionado sobre a mudança de postura, disse que nunca teria prometido que a empresa "nunca venderia", enquadrando a frase como conselho pessoal para investidores individuais, e não como compromisso corporativo. A reavaliação ocorre após um segundo trimestre difícil: a Strategy reportou prejuízo líquido de US$ 8,6 bilhões no 2T26, explicado quase integralmente por uma perda contábil não caixa de US$ 8,3 bilhões (mark-to-market) sobre as posições em bitcoin, enquanto o BTC recuava para perto de US$ 58.700 no fim do trimestre. A recomposição de caixa ficou evidente na reserva em dólares. Em agosto de 2026, a Strategy informou que sua reserva em USD atingiu recorde de US$ 4,65 bilhões, ante US$ 871 milhões no fim de maio — alta superior a 5 vezes em cerca de dez semanas. Esse aumento foi financiado por uma combinação de emissão de ações e vendas de bitcoin. Na rodada mais recente, a empresa captou US$ 653,1 milhões com a venda de ações MSTR via programa at-the-market, além dos US$ 108,6 milhões obtidos com a venda de 1.690 BTC. O movimento não é isolado. A mineradora de bitcoin MARA também vendeu 23.093 BTC por cerca de US$ 1,6 bilhão no primeiro semestre de 2026, citando uma mudança para uma gestão de tesouraria mais flexível, em vez de acumulação pura. Para os próximos meses, Le indicou que a Strategy pretende voltar à acumulação líquida quando a atual fase de gestão de capital perder força. O desconto do mNAV adiciona outra variável: se as ações permanecerem por um período prolongado abaixo de 1x, a empresa pode manter a prioridade em recompras e reforço de reservas em detrimento de novas compras de bitcoin, já que recomprar MSTR subavaliada pode ser mais benéfico ao acionista do que ampliar a posição em BTC pagando prêmio.