Oposição na Coreia do Sul propõe adiar imposto de 22% sobre criptoativos para 2030
Resumo de mercado por IA
A oposição da Coreia do Sul propôs adiar o imposto planejado de 22% sobre investimentos em cripto de 2027 para 2030, enquanto o governo reafirmou o início em 2027 e destacou a prontidão administrativa, além do próximo reporte transfronteiriço do OECD CARF. Os projetos de lei concorrentes de adiamento versus revogação acrescentam incerteza de política no curto prazo para os fluxos de varejo coreanos e a atividade nas exchanges, mas também sinalizam esforços contínuos para formalizar proteções ao investidor e ampliar o acesso regulado.
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O principal partido de oposição da Coreia do Sul, o People Power Party (PPP), apresentou uma iniciativa para adiar por três anos a cobrança do imposto de 22% sobre ganhos com investimentos em criptoativos. A mudança levaria a data de início prevista em lei de 1º de janeiro de 2027 para 1º de janeiro de 2030.
A proposta foi protocolada pelo deputado Jeong Seongguk poucos dias depois de o governo reafirmar que pretende manter o prazo de 2027.
Pelo texto de Jeong, a Lei do Imposto de Renda continuaria a prever a tributação de criptoativos, mas as regras só passariam a produzir efeitos em 2030. O parlamentar afirma que o adiamento daria tempo para concluir proteções ao investidor, sistemas administrativos e um arcabouço tributário mais amplo para ativos virtuais, reduzindo incertezas para contribuintes e reguladores.
Pelas regras atuais, a partir de 1º de janeiro de 2027 a renda obtida com transferência ou empréstimo de ativos virtuais (incluindo Bitcoin e Ethereum) seria enquadrada como "outras rendas". Ganhos anuais acima da isenção de 2,5 milhões de won seriam tributados à alíquota combinada de 22% (20% nacional + 2% local). No exemplo usado na proposta tributária de 2026 do governo, um investidor com lucro líquido de 5 milhões de won em negociação de criptoativos descontaria o abatimento de 2,5 milhões de won, deixando 2,5 milhões de won sujeitos ao imposto, o que resultaria em uma cobrança de 550.000 won. A renda tributável de 2027 seria declarada em maio de 2028.
No PPP, o adiamento é uma de duas frentes. Outra proposta, apresentada em 19 de março pelo deputado Song Eonseok, remove totalmente o dispositivo de tributação de renda com criptoativos da Lei do Imposto de Renda, o que equivaleria a revogar o imposto. Esse projeto está em análise no Comitê de Planejamento Financeiro e Econômico da Assembleia Nacional e pode avançar para avaliação em subcomitê.
Críticos do PPP argumentam que a medida trata investidores em criptoativos de forma desigual em relação à maior parte dos investidores de varejo em ações, que em grande parte ficou fora do imposto sobre renda de investimentos financeiros, já abolido no país. Eles também apontam a ausência de regras para compensação de perdas em operações com criptoativos e afirmam que o desenho do tributo pode empurrar negociadores para corretoras estrangeiras, DeFi ou mercados peer-to-peer.
O Ministério da Economia e Finanças concluiu em 3 de agosto seu pacote de reforma tributária de 2026 sem incluir novo adiamento. O pacote ainda precisa de aprovação da Assembleia Nacional e pode ser alterado pelos parlamentares. Em audiência do comitê em 29 de julho, o ministro das Finanças Koo Yuncheol disse que o governo pretende seguir com a implementação em 2027 e avaliar ajustes após ganhar experiência operacional.
O governo afirma que a maior parte da infraestrutura administrativa necessária já está pronta e que o Serviço Nacional de Impostos criou uma unidade de ativos digitais para preparar orientações e medidas de fiscalização.
Seul também espera receber, no próximo ano, dados de transações de criptoativos no exterior por meio do Crypto-Asset Reporting Framework (CARF) da OCDE. Segundo o governo, 48 jurisdições — incluindo Japão, Alemanha e França — participam do padrão, o que ampliaria a visibilidade das autoridades fiscais sul-coreanas sobre ativos e operações em plataformas estrangeiras.
A disputa ganha peso porque a tributação já foi adiada três vezes. Aprovada em 2020 com início originalmente previsto para janeiro de 2022, passou para 2023, depois 2025 e, agora, 2027. A emenda de Jeong estenderia o adiamento até 2030, mantendo a lei em vigor.
Com o partido governista Democratic Party e o governo apoiando a implementação, a proposta de revogação enfrenta maior resistência política. O adiamento, por sua vez, surge como alternativa tática: o imposto permanece previsto, mas fora de aplicação por mais alguns anos.
Em paralelo, parlamentares e reguladores trabalham em uma Digital Asset Basic Act para consolidar cerca de 10 projetos pendentes. O marco busca tratar de regras para stablecoins, licenciamento e controles de corretoras, divulgações, resiliência de sistemas de negociação e outros temas estruturais. Seguem debates sobre a emissão de stablecoins lastreadas em won por consórcios liderados por bancos e sobre limites de propriedade ou exigências de licenciamento para grandes corretoras.
Separadamente, Jeong também propôs legislação para permitir investimento institucional em criptoativos via ETFs à vista, sinalizando interesse em ampliar o acesso institucional regulado a ativos digitais.
A emenda de Jeong seguirá a tramitação legislativa, competindo com a proposta de revogação do PPP e com o cronograma apoiado pelo governo. O desfecho dependerá das deliberações em comitês da Assembleia Nacional e de negociações políticas entre oposição, base governista e o ministério das Finanças, enquanto reguladores finalizam um marco legal mais amplo para ativos digitais.
Fontes: reportagens da MBN e declarações do governo em audiências do comitê de finanças da Assembleia Nacional.