Bitcoin recua após Senado não aprovar encerramento de debate sobre a Clarity Act
Resumo de mercado por IA
A fracassada votação de encerramento de debate no Senado sobre o Digital Asset Market Clarity Act efetivamente paralisa uma legislação abrangente de estrutura de mercado cripto nos EUA até 2026, aumentando a incerteza regulatória. O Bitcoin e o mercado cripto mais amplo sofreram uma forte queda em torno da votação, à medida que as expectativas de clareza jurídica no curto prazo foram reajustadas para baixo. Com a legislação deixada de lado, o caminho de elaboração de regras pela SEC/CFTC torna-se o principal catalisador regulatório nos EUA, elevando o risco de volatilidade impulsionada por políticas.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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O Senado dos EUA não conseguiu aprovar a moção de "cloture" (encerramento) para levar adiante a Digital Asset Market Clarity Act. A votação ficou em 49 a favor e 50 contra; eram necessários 60 votos para abrir o debate formal. A proposta também dependia do apoio de pelo menos sete democratas.
A votação de terça-feira tratou apenas da moção de "cloture" do H.R. 3633, não do mérito final do projeto. Como o "cloture" define se o Senado pode avançar para o debate, o fracasso praticamente encerra as chances de tramitação em 2026. Restavam cerca de 22 dias úteis no calendário legislativo antes de a campanha de meio de mandato dominar a agenda.
No mercado, o bitcoin caiu 1,3% na última hora durante a votação. No acumulado do dia, recuava quase 4%, negociado perto de US$ 76.000, depois de ter tocado US$ 77.200 pouco antes do início do processo. Por volta de 14h30 (horário da Costa Leste), a cotação cedeu de cerca de US$ 76.900 para uma mínima intradiária próxima de US$ 75.600 em aproximadamente 10 minutos, movimento que ganhou força quando a contagem de votos contrários ultrapassou 40. O pico de setembro ficou perto de US$ 82.000. O mercado cripto como um todo perdeu quase 3%; após a votação, um momento de pânico levou as perdas a mais de 4,2% antes de uma recuperação rápida.
As probabilidades na Polymarket de a Clarity Act virar lei em 2026 caíram para 17% na manhã de terça-feira, ante cerca de 34% na segunda. Horas antes da votação, republicanos rejeitaram uma contraproposta democrata. A senadora Cynthia Lummis escreveu que o fracasso poderia ser definitivo e afirmou não haver mais espaço para negociar a redação com os democratas. Segundo Lummis, os republicanos incorporaram mais de 120 mudanças solicitadas pelos democratas ao longo do último ano.
A democrata Elizabeth Warren, líder da oposição do Comitê Bancário, discursou contra o projeto no plenário e alertou que, se aprovado, poderia desencadear um colapso econômico alimentado por cripto. Bancos pressionaram por um trecho que proibisse empresas cripto de pagar rendimento sobre stablecoins, argumentando que isso drenaria depósitos de contas tradicionais. Oito associações do setor bancário pediram restrições mais duras dias antes da votação.
Entre os democratas, houve demanda por regras mais rígidas de conflito de interesses por causa das participações pessoais de Donald Trump em criptoativos. Desenvolvedores de software buscaram proteção explícita contra responsabilização criminal por criar ferramentas não custodiais.
Os republicanos do Senado divulgaram no fim da noite de domingo uma versão revisada, com 630 páginas. O texto incluiu um papel de fiscalização para procuradores-gerais estaduais em temas de ética e suavizou a linguagem sobre responsabilidade de desenvolvedores. Ainda assim, as alterações não garantiram apoio democrata suficiente.
A Digital Chamber classificou o desfecho como um revés, não uma derrota, e disse continuar comprometida com a aprovação de uma regulação abrangente para ativos digitais. Com a via legislativa travada, o cronograma regulatório mais próximo para os mercados cripto dos EUA em 2026 passa a ser o processo de elaboração de regras da SEC e da CFTC, citado pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, como alternativa.