Relatório do Goldman Sachs: SEC autoriza negociação de ações tokenizadas; Coinbase (COIN) deve ser a principal beneficiada
Resumo de mercado por IA
A isenção condicional de cinco anos da SEC que permite a negociação de ações tokenizadas nos EUA por meio de Tokenized Securities Venues baseados em AMM é um grande marco regulatório, embora limites de símbolo/volume e direitos de veto do emissor limitem a escala no curto prazo. A Goldman destaca a Coinbase como a mais bem posicionada porque sua corretora tokenizada e a economia vinculada ao USDC em grande parte atendem aos requisitos, permitindo implementação rápida e potencial monetização de infraestrutura. O modelo atual da Robinhood, apenas na Europa e não nativo, precisaria ser redesenhado para estar em conformidade.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
NCSKCOIN2USD/USDT-1.12%
Insight de IA · NCSKCOIN2USD/USDTInsight de IA
▲ Altista
Negociar agora
⚠️ Os insights gerados por IA são baseados em conteúdo de notícias e fornecidos apenas para fins informativos. Eles não constituem aconselhamento de investimento nem representam as opiniões da BingX. Investir envolve riscos. Negocie com responsabilidade.
A SEC deu, pela primeira vez, sinal verde para a negociação de ações tokenizadas nos EUA. Em relatório publicado em 18 de setembro de 2026, o Goldman Sachs afirmou que, no dia 17, o regulador emitiu uma ordem concedendo isenção condicionada de registro por cinco anos a determinadas bolsas e provedores de liquidez, permitindo que ofereçam negociação de ações tokenizadas no mercado americano. Essas entidades passam a ser classificadas como Tokenized Securities Venues (TSVs).
Segundo o banco, a decisão abre caminho de forma ampla para esse tipo de negociação e pode impulsionar um crescimento gradual do mercado de ações americanas tokenizadas.
Três condições limitam o efeito no curto prazo
O analista James Yaro destacou três exigências centrais da ordem:
1) Apenas plataformas que utilizem livro de ordens baseado em automated market maker (AMM) podem se qualificar para a isenção. Bolsas tradicionais e a maioria das corretoras cripto centralizadas, que operam com centralized limit order book (CLOB), ficam de fora.
2) A isenção se aplica somente a ações com tokenização nativa. Estruturas não nativas, com perfil de derivativo, não estão contempladas.
3) As companhias emissoras podem se opor e impedir a tokenização de seus papéis antes do início da negociação.
O Goldman Sachs avalia que essas condições reduzem o impacto imediato. A exigência de AMM tem alcance limitado: AMMs são comuns em exchanges descentralizadas, enquanto CLOBs predominam em bolsas tradicionais e na maior parte das plataformas cripto centralizadas. O banco observa que AMMs tendem a funcionar melhor para mercados novos e instrumentos de "cauda longa", ao prover liquidez via inventários de tokens. À medida que o tamanho das ordens cresce, a precificação baseada em escassez dos AMMs aumenta o risco de slippage, ao passo que CLOBs costumam ser mais eficientes em mercados profundos e líquidos. Isso, na prática, restringe o efeito da ordem sobre os maiores mercados.
A ordem também impõe requisitos adicionais: os TSVs devem operar com número limitado de símbolos e volume negociado; assegurar a detentores de ações tokenizadas direitos societários e dividendos equivalentes aos dos acionistas das ações subjacentes; manter o smart contract do AMM auditável, público e implantado em blockchain pública; e divulgar publicamente suas operações e informações de negociação.
COIN deve se beneficiar mais; HOOD teria de reconstruir o produto
Dentro da cobertura do Goldman Sachs, Coinbase (COIN) e Robinhood (HOOD) podem contribuir para a formação desse mercado nos EUA. O banco vê a COIN como a maior beneficiada, pois seu produto de corretagem de ações tokenizadas já atende à maior parte das exigências previstas na ordem, incluindo a equivalência de direitos e dividendos em relação às ações subjacentes. Com isso, a Coinbase poderia ofertar ações tokenizadas no país com ajustes tecnológicos mínimos.
Além disso, a COIN oferece plataforma de tokenização e serviços de custódia, podendo capturar demanda à medida que outras empresas usem a isenção para estruturar ofertas de ações tokenizadas. Se a empresa quiser usar o novo arcabouço para montar uma bolsa de ações tokenizadas, precisará desenvolver tecnologia de negociação própria, já que sua exchange atual opera via CLOB. O Goldman Sachs ressalta que a COIN direciona ordens da corretagem para exchanges descentralizadas, muitas das quais utilizam AMMs e, portanto, podem se enquadrar na isenção.
No caso da Robinhood, a oferta atual de ações tokenizadas está restrita à Europa e utiliza tokenização não nativa, o que não atende aos requisitos. Para aproveitar a isenção nos EUA, a HOOD teria de desenvolver um novo produto compatível.
O relatório também aponta que a negociação on-chain de ações tokenizadas pode estimular o uso de "cash tokenizado" como moeda de liquidação, elevando a adoção de stablecoins. Isso poderia favorecer a Circle (CRCL), emissora do USDC, e a própria COIN, que obtém benefícios econômicos relevantes ligados ao USDC.
Bolsas tradicionais: risco competitivo direto é limitado
O Goldman Sachs entende que a isenção traz pouco risco competitivo direto para as bolsas tradicionais. Nasdaq (NDAQ) e a New York Stock Exchange, do Intercontinental Exchange (ICE), já operam como bolsas nacionais registradas e não precisam de isenção da definição de "exchange" para negociar ações tokenizadas. As duas avançam em tokenização dentro de seus próprios modelos de infraestrutura de mercado, sem depender de TSVs, e não precisam construir infraestrutura AMM para seus projetos atuais.
A Nasdaq obteve aprovação da SEC em março de 2026 para permitir que versões tokenizadas de valores mobiliários elegíveis ao DTC sejam negociadas no mesmo livro de ordens, com o próprio DTC cuidando da tokenização e da liquidação. O piloto tem duração de três anos e cobre integrantes do Russell 1000 e ETFs de índices.
A NYSE segue caminho semelhante, desenvolvendo uma plataforma independente com negociação 24/7, liquidação instantânea e financiamento via stablecoins, ainda pendente de aprovação regulatória.
O banco acrescenta que as bolsas tradicionais mantêm vantagem estrutural nos papéis mais líquidos porque, na Nasdaq e na NYSE, ordens tokenizadas interagem com as ações tradicionais no mesmo livro. Já nos TSVs, as ações tokenizadas ficam sujeitas a restrições de símbolo e volume e a limitações de participantes permitidos. O universo elegível no piloto do DTC — componentes do Russell 1000 e principais ETFs de índices — corresponde justamente aos mercados profundos em que CLOBs tendem a superar AMMs.
Reforma legislativa segue central
O Goldman Sachs vê a isenção como mais um passo de SEC e CFTC rumo a maior clareza regulatória para ativos digitais. Antes disso, a SEC havia proposto, em agosto de 2026, um arcabouço que isentaria projetos menores de exigências ligadas à oferta de tokens. Em 17 de setembro, a CFTC adotou posição de no-action, isentando desenvolvedores de carteiras de autocustódia de se registrarem como introducing brokers. Para o banco, ambos os órgãos sinalizam intenção de estabelecer regras abrangentes para o setor.
Ainda assim, o Goldman Sachs argumenta que essas iniciativas não bastam para destravar a adoção em larga escala. Ações regulatórias não têm o respaldo permanente de lei, e reguladores futuros podem revertê-las ou alterá-las via rulemaking. O banco afirma que liberar plenamente o potencial dos ativos digitais exigiria uma reforma legislativa ampla, como a CLARITY Act, que falhou em uma votação processual no Senado em 15 de setembro.
O relatório acrescenta que, do ponto de vista competitivo, a ordem de isenção tende a ser mais favorável do que a aprovação de uma legislação mais ampla de tokenização. Se a CLARITY Act avançar e levar a uma adoção mais extensa, a pressão competitiva sobre bolsas tradicionais seria maior. Já a isenção, ao impor exigências de AMM e permitir veto dos emissores, limita a proliferação de ações tokenizadas no curto prazo e reduz o impacto sobre o volume negociado nas bolsas.
O Goldman Sachs resume o quadro como uma porta aberta para ações tokenizadas, mas apenas entreaberta por causa do requisito de AMM e do poder de veto dos emissores. Se as empresas optarem com frequência por rejeitar a tokenização, ou se a CLARITY Act voltar a ganhar tração, o valor de longo prazo desse modelo de isenção pode mudar.
Aviso legal
Este texto é uma compilação e interpretação feita pela Chaoxiang Research de um relatório de research de terceiros (Goldman Sachs, 18 de setembro de 2026), combinada com informações públicas de mercado. Ratings, preços-alvo, projeções de lucro e demais avaliações citadas refletem a visão dos analistas da corretora e representam apenas a posição de suas respectivas instituições; não refletem a visão da Chaoxiang Research nem constituem recomendação de investimento. O mercado envolve riscos; decisões devem ser tomadas de forma independente. Este material não deve ser usado como base para compra ou venda de quaisquer valores mobiliários.