Perpétuos onchain: evolução do design e novos vetores de crescimento

Resumo de mercado por IA
Pesquisas destacam o crescimento sustentado dos perpétuos onchain, com a participa""o das DEX subindo para ~13% e a Hyperliquid detendo ~56% do open interest. O principal diferencial s"o os perp"tuos de RWA (por exemplo, petr"leo bruto, Nasdaq 100, ouro), permitindo negocia""o 24/7 e descoberta de pre"os quando os mercados tradicionais est"o fechados, ampliando o mercado endere""vel para al"m de cripto. A pilha integrada da Hyperliquid e os buybacks financiados por taxas estreitam o alinhamento entre token e plataforma, refor"ando o momentum do ecossistema.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
HYPE/USDT-0.55%
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Autor: Castle Labs | Compilado por Deep潮 TechFlow DeepChain O mercado de contratos perpétuos já opera em outra escala: nas principais corretoras, o volume de perpétuos é 4,7 vezes maior que o do mercado à vista e respondeu por mais de 82% do volume total de cripto nos últimos 30 dias. Mesmo assim, as exchanges descentralizadas ainda concentram apenas 13% desse fluxo. O destaque vai para a Hyperliquid, que detém 56% do open interest do segmento. O diferencial, segundo o relatório, não é apenas tecnológico: a infraestrutura viabiliza a negociação de ativos como petróleo bruto até nos fins de semana. Este trecho faz parte de um estudo sobre o ecossistema de futuros perpétuos, comparando venues de negociação sob a ótica de design, marketing e microestrutura. O foco está nos motores de crescimento do setor, nas arquiteturas que sustentam os protocolos e nas estratégias usadas para ganhar participação. Apesar do avanço onchain, a maior parte da negociação de perpétuos ainda ocorre em plataformas centralizadas. Nos últimos 30 dias, o volume em CEXs superou US$ 4,56 trilhões, contra US$ 614,5 bilhões em DEXs. A diferença é ainda mais acentuada do que no spot, já que a estrutura de DEXs historicamente foi mais adequada a trocas à vista. Primeira geração: dYdX e GMX No início, dYdX e GMX lideravam o cenário de perpétuos descentralizados, cada um com escolhas de produto que continuam visíveis mesmo após ajustes. O dYdX foi construído sobre o Cosmos SDK e se destacou por adotar a lógica de "verticalização" de valor ao se tornar uma application chain com livro de ofertas (central limit order book). A migração de StarkEx para uma cadeia própria trouxe mais controle e maior autonomia de infraestrutura. Para traders, o custo foi fricção adicional: necessidade de bridge entre redes, maior complexidade de gestão de fundos e onboarding menos fluido. Na época, migrações cross-chain não eram tão comuns quanto hoje. A mudança também enfrentou desafios técnicos, incluindo períodos de indisponibilidade e atrasos de validadores. A governança descentralizada, por sua vez, desacelerou iterações e gerou decisões que afetaram a confiança, como o encerramento da bridge cross-chain do token enquanto detentores ainda mantinham liquidez e ativos. O GMX V1 popularizou o modelo GLP: um pool de ativos (ETH, BTC e stablecoins, entre outros) ajustado dinamicamente que atua como contraparte de todas as operações. O GLP ajudou a iniciar liquidez para perpétuos em estágio inicial, mas carrega limitações estruturais no longo prazo. O modelo concentra risco em um único pool: provedores de liquidez absorvem P&L de traders, exposição a ativos e risco de desequilíbrio de inventário, além de arcarem com taxas. A escalabilidade é difícil, porque cada novo mercado adiciona risco ao mesmo conjunto de liquidez; limites de open interest, estrutura de taxas, design de oráculos e composição do pool acabam restringindo a expansão para ativos de cauda longa. Na prática, o GLP nunca foi pensado para longtail e funciona melhor com ativos grandes e líquidos. Em 2025, o GLP V1 sofreu um hack de US$ 40 milhões por vulnerabilidade de reentrancy, afetando ainda mais a confiança de depositantes. O GMX passou a priorizar os modelos V2 e GLV, buscando mais flexibilidade e eficiência de capital. Modelos baseados em pools tendem a ser menos ágeis do que livros de ofertas para lançar mercados e escalar horizontalmente, mas seguem sendo adaptados: a Hyperliquid adotou o Hyperliquidity Provider (HLP) e a Variational, o Omni Liquidity Provider (OLP). Crescimento recente: participação de DEXs sobe, Hyperliquid puxa o ciclo O mercado endereçável de perpétuos sempre foi grande, mas os primeiros modelos não conseguiram escalar liquidez o suficiente para competir com CEXs. Ainda assim, a participação de DEXs em perpétuos subiu de 4% em 2024 para mais de 13%. O pico recente ocorreu em dezembro de 2025, quando o share em DEXs passou de 14,25% do volume total. Os dados agregados não capturam toda a dinâmica. Dentro do mercado de perpétuos, o crescimento foi consistente, especialmente em 2025, com aceleração no fim de 2024 em paralelo ao lançamento e ao sucesso da Hyperliquid. A nova onda desde 2026 é atribuída a dois vetores: avanço de real-world assets (RWAs) negociáveis via perpétuos e proliferação de venues como Lighter, Variational, Extended, Entropy, entre outras. Após a Hyperliquid, mais de 261 exchanges descentralizadas de perpétuos foram lançadas. No momento, a Hyperliquid permanece muito à frente em open interest no segmento onchain, com mais de 56% de participação. Em seguida vêm Aster (9,7%), Variational (6,2%) e Lighter (5,7%). Antes, a liderança era do dYdX e depois do GMX. Desde que a Hyperliquid entrou, manteve o topo, com apenas um breve intervalo em novembro de 2025 em que a Lighter a superou. O fim de 2025 também marcou o maior pico mensal histórico de open interest em perpétuos, com arrefecimento ao entrar em 2026. RWAs e o caso do petróleo: TradeXYZ como motor de listagens A mudança de liderança está ligada ao suporte a listagem e negociação de RWAs. Um dos pontos mais distintivos da Hyperliquid é o papel do TradeXYZ na expansão do catálogo: ativos antes "innegociáveis" onchain passam a ter negociação 24/7. No auge, esse segmento representou 50% do volume total da plataforma. O exemplo emblemático é o petróleo bruto (CL). Durante a crise com o Irã, os Estados Unidos lançaram um ataque em um fim de semana, quando os mercados tradicionais estavam fechados. O TradeXYZ virou o único local em que era possível negociar petróleo nesse período. O relatório descreve uma análise de microestrutura comparando o mercado de CL no TradeXYZ com o da CME. Em três semanas, o CL saiu de um mercado incipiente para um ambiente mais maduro, já capaz de ser usado por participantes tradicionais para hedge. Segundo o estudo, esse é um dos melhores casos de utilidade prática de RWAs onchain e um impulsionador direto de adoção. Fundos como a Abraxas passaram a defender publicamente a negociação de RWAs no TradeXYZ. Parte do sucesso vem de mecanismos que "delimitam" a negociação fora do horário dos mercados tradicionais, limitando variações a ± (1 / alavancagem máxima) em torno do preço de referência. Nas primeiras semanas, o CL chegou ao limite de 5%, e a negociação foi interrompida no fim de semana. Hoje, com o modelo testado, a plataforma usa "reanchoring" para manter descoberta de preço contínua: ao atingir uma condição de gatilho (por exemplo, próximo ao limite), o ativo pode redefinir a âncora e estabelecer novas bandas. Os RWAs também atraem instituições. Isso aparece no ranking de volume de perpétuos em 10 de setembro de 2026: sete dos dez maiores ativos eram RWAs, liderados pelo índice Nasdaq 100 e pelo ouro. Juntos, geraram mais de US$ 1,4 bilhão em volume em 24 horas e mais de US$ 850 milhões em open interest. A tese do relatório é que os perpétuos evoluíram: de um produto para exposição alavancada a ativos já acessíveis, passaram a oferecer exposição a classes antes fora do alcance. Nesse contexto, RWAs viraram peça central da estratégia de marketing do setor. O "efeito Hyperliquid": de exchange a ecossistema A Hyperliquid é apontada como o principal catalisador do ciclo recente. A estratégia de TGE em formato de airdrop, combinada com a transição de uma exchange de perpétuos para um ecossistema completo, busca posicionar a plataforma como a "AWS da liquidez". O impacto vai além do crescimento de volume: ela redefiniu o que o mercado espera de um DEX de perpétuos. Antes, perpétuos onchain eram vistos como um "frontend" de negociação: uma versão onchain de perpétuos de CEX, com menor risco de custódia, mas execução inferior, experiência mais fraca e liquidez mais fina. Após a Hyperliquid, a categoria se aproximou de uma plataforma completa, integrando componentes antes dispersos: - HyperCore, camada de negociação de alta performance para spot e perpétuos. - HyperEVM, ambiente nativo para builders. - HIP3, que permite a builders implantar novos mercados de perpétuos, aproximando a listagem de um modelo permissionless. - HIP4, que adiciona outcome markets, aplicáveis a prediction markets e instrumentos tipo opções. - Builder code, que permite a frontends externos rotearem fluxo de ordens para a Hyperliquid e monetizarem a distribuição. - HLP, o vault de provedor de liquidez que viabiliza market making passivo. - Frontends de RWA (como TradeXYZ), que usam a infraestrutura para trazer ações e exposições offchain ao mesmo ambiente. O relatório destaca que, em conjunto, esses módulos colocam o token HYPE no centro dos vetores de crescimento. O HyperCore entrega a experiência base (livro de ofertas, execução rápida, liquidez profunda e interface enxuta). O HLP fornece primitivas nativas de liquidez. O HyperEVM cria um ecossistema de construção. O HIP3 transforma criação de mercados em produto e fonte de receita. O HIP4 abre novas categorias de mercados. O builder code converte carteiras e apps em parceiros de distribuição. O TradeXYZ mostra como o stack pode incorporar ativos de finanças tradicionais na mesma tela. Essa arquitetura permite marginamento de portfólio na plataforma, viabilizando estratégias mais sofisticadas: combinar spot e perpétuos em cripto e RWAs, prover liquidez e fazer hedge de risco de eventos. Na semana passada, a Hyperliquid também lançou uma função de empréstimo manual, permitindo que qualquer pessoa deposite HYPE ou BTC para tomar USDC e USDT. Distribuição e alinhamento do token Na fase inicial, a Hyperliquid seguiu uma fórmula conhecida: programas de recompensas e grandes airdrops para atrair usuários e criar uma base fiel. O relatório argumenta que, no caso da Hyperliquid, o TGE foi apenas o início. O diferencial seria a consistência entre camadas do protocolo e do ecossistema, refletida em receita acumulada acima de US$ 1,24 bilhão. A receita, segundo o texto, não vem só de perpétuos. Mercados spot, leilões, "priority burns" e taxas de gas do HyperEVM também contribuem, com o HYPE permanecendo no centro do ciclo de crescimento. O HLP foi relevante no lançamento do HyperCore, atuando como vault de market making e mecanismo de retenção para usuários que preferem estratégias passivas. A proposta reduziu dependência de market makers externos e difere do GLP por ser mais ativo do que uma cesta estática, reforçando o posicionamento de plataforma para múltiplas estratégias. Com o amadurecimento do HyperCore e do market making, o HLP deixou de ser componente fundamental e foi reduzido gradualmente. O relatório aponta um retorno de interesse desde meados de agosto de 2026, com planos para direcionar USDC ocioso do HLP para lending, evitando capital parado. O uso do HLP também traz desafios. Um exemplo citado é o evento JELLY em março de 2025, quando um trader tentou "apertar" o mercado ao elevar o preço spot do token enquanto mantinha posições vendidas e compradas no ativo. No HIP3, a escolha de quais mercados importar deixa de ser exclusiva do time central: builders podem comprar "trading codes" via sistema de leilões e implantar mercados dentro do framework do protocolo, com taxas direcionadas ao token. Já o builder code permite que a Hyperliquid cresça horizontalmente ao oferecer seu motor de negociação como solução whitelabel. O documento relata que os builder codes se tornaram um canal relevante de distribuição: geraram mais de US$ 40 bilhões em volume de negociação nas últimas 24 horas, equivalentes a 7,4% do volume total. Carteiras como Phantom e MetaMask optaram por integrar builder codes em vez de construir infraestrutura própria, gerando mais de US$ 25 milhões em receita para a Phantom e mais de US$ 10,5 milhões para a MetaMask. A Hyperliquid também anunciou mercados HIP4, um produto de resultado binário voltado a event markets, prediction markets e opções. O relatório observa que, em um ambiente competitivo, o desafio já não é apenas lançar recursos: captar usuários fica mais difícil, o número de traders ativos é limitado e o perfil é mais orientado a lucro. Para sustentar recorrência, uma plataforma precisa de distribuição, liquidez, variedade de produtos e razões para o trader voltar. A estratégia da Hyperliquid é operar como múltiplas camadas ao mesmo tempo: venue central de negociação, ambiente EVM para builders, tráfego via integrações, implantação permissionless via HIP3, negociação de outcomes via HIP4 e acesso a novas classes de ativos por frontends externos. Um ponto crucial é o alinhamento entre sucesso da plataforma e o token HYPE. O relatório menciona recompras programadas: 95% de todas as taxas coletadas pelo protocolo são usadas para recomprar HYPE. Até agora, o protocolo teria recomprado mais de US$ 1,26 bilhão em HYPE no mercado aberto. O texto ressalta que gerar atividade antes do lançamento do token é possível, mas manter o ritmo após o fim do "trade de airdrop" é muito mais difícil. Em muitas exchanges, a atividade atinge o pico antes do airdrop, quando o valor do produto ainda é incerto. No caso da Hyperliquid, o estudo sugere que alinhamento de token, execução e distribuição criaram um flywheel mais profundo, levando a narrativa para além do TGE. Vários protocolos tentam replicar o modelo, mas a capacidade de acompanhar a trajetória da Hyperliquid segue em aberto. Conclusão Os perpétuos onchain seguem em rápida expansão, com open interest em níveis históricos. As plataformas superaram obstáculos de design, indo de blockchains com throughput insuficiente para sustentar livros de ofertas até a necessidade de escalar liquidez em padrão institucional. O ecossistema também mudou: parte relevante da atividade migrou de líderes anteriores como dYdX e GMX para Hyperliquid, Variational e Lighter. A nova alavanca de crescimento destacada é a negociação de perpétuos sobre RWAs. Plataformas como TradeXYZ não apenas trouxeram ativos tradicionais, como também habilitaram negociação 24/7 e dominaram a descoberta de preço quando os mercados clássicos estavam fechados, como no episódio dos ataques ligados ao Irã. Grande parte do avanço recente é atribuída à Hyperliquid, que concentra mais de 56% do open interest onchain e reanimou o mercado ao transformar volume em alinhamento de token e um ciclo virtuoso. O relatório conclui que, embora ainda seja um setor jovem, o crescimento é difícil de ignorar: a Hyperliquid mostrou que venues descentralizados podem competir com CEXs em quase todas as métricas, e a expansão de canais de distribuição, via apps voltados ao consumidor e parcerias, tende a acelerar a adoção. O estudo completo também amplia a cobertura sobre protocolos e abordagens de design em perpétuos e inclui uma análise de microestrutura comparando qualidade de execução entre CEXs e DEXs.