Michael Saylor critica o BIP110 do Bitcoin em ensaio com 110 pontos

Resumo de mercado por IA
Michael Saylor instou publicamente a rede Bitcoin a rejeitar o BIP110, um soft fork temporário proposto com foco em transações com grande volume de dados, argumentando que o consenso deveria permanecer neutro em relação a usos válidos que pagam taxas. Com a sinalização supostamente abaixo de 1% versus um limiar de lock-in antecipado de 55%, o debate destaca riscos de governança no curto prazo e de divisão da cadeia caso nós de imposição rejeitem blocos sem sinalização. O episódio eleva a incerteza sobre políticas de protocolo ao discurso de mercado.
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Michael Saylor, cofundador e presidente executivo da Strategy, publicou em 18 de julho um ensaio com 110 pontos no X pedindo que a rede Bitcoin rejeite o BIP110, proposta de soft fork apresentada como medida "antispam". O texto, intitulado "110 Reasons BIP 110 Is a Bad Idea", ultrapassou 840 mil visualizações até a tarde de domingo e marcou uma participação rara de Saylor no debate de governança do protocolo. Saylor afirmou compartilhar o objetivo de proteger o Bitcoin, mas avaliou que o remédio sugerido traz riscos maiores do que o problema que pretende atacar. O eixo do argumento é que regras de consenso não conseguem — e não deveriam tentar — julgar a finalidade de transações válidas que pagam taxa. Para ele, quem não quiser determinados dados pode optar por não usar, retransmitir, indexar ou minerar esse tipo de conteúdo. Já mudanças no consenso, escreveu, deveriam responder a um risco comprovado de negação de serviço ou de validação, não a uma interpretação sobre intenção. Na conclusão, Saylor classificou a medida como uma "Bitcoin Iatrogenic Proposal" — reaproveitando a sigla BIP com o termo médico para dano causado por tratamento — e encerrou: "Bitcoin does not need guardians of purity. It needs guardians of neutrality." O que o BIP110 propõe O BIP110 prevê um soft fork temporário, com duração de um ano, que reúne sete restrições voltadas a transações com grande volume de dados. A proposta apareceu originalmente como BIP444 em outubro de 2025, após a versão v30 do Bitcoin Core remover limites padrão para dados em OP_RETURN. Um cliente com BIP110 habilitado é baseado no Bitcoin Knots, software de nó mantido por Luke Dashjr, CTO da Ocean e um dos principais apoiadores da proposta. Defensores colocam o debate no campo dos incentivos, argumentando que tratar o armazenamento de dados arbitrários como um uso suportado distorce a dinâmica de taxas, aumenta o ônus para operadores de nós e faz transações monetárias competirem com tráfego não financeiro. As restrições por um ano seriam, segundo eles, uma intervenção temporária para recentrar a rede no uso do bitcoin como dinheiro. Disputa em agosto com apoio ainda reduzido Pelo cronograma de ativação do BIP110, um período obrigatório de sinalização deve começar próximo ao bloco 961.632, estimado para cerca de 7 de agosto. A partir daí, nós que aplicarem a regra passam a rejeitar blocos que não sinalizem, e as regras entram em vigor para esses nós por volta de 1º de setembro. Hoje, blocos sinalizadores representam 0,86% do período de dificuldade, bem abaixo dos 55% necessários para um lock-in antecipado, e o índice nunca passou de aproximadamente 1%, segundo o monitor público da proposta. Se o apoio permanecer nesse patamar, nós com BIP110 tenderiam a rejeitar quase todos os blocos de mineradores que não sinalizem durante a janela obrigatória, elevando o risco de divisão para uma cadeia minoritária. Jason Hughes, vice-presidente de desenvolvimento e engenharia da Ocean, estimou o apoio de nós entre 7% e 15% em um texto como convidado na Bitcoin Magazine e argumentou que a proposta caminha para fracassar. Saylor já havia se manifestado em 11 de julho, ao responder críticas de Adam Back, CEO da Blockstream, com a afirmação de que existem "110 coisas mais perigosas para o Bitcoin do que spam". A reação de apoiadores veio no mesmo formato: o investidor Fred Krueger publicou uma réplica espelhada com 110 razões a favor. A intervenção é incomum para Saylor, cuja empresa é a maior detentora corporativa de bitcoin. Segundo o mais recente documento apresentado à SEC, a Strategy possui 843.775 BTC a um custo médio de US$ 75.476.