Ethereum e Solana discutem corte nos rendimentos do staking com mudanças em ETFs da Grayscale

Resumo de mercado por IA
Os registros da Grayscale na SEC formalizam distribuições em dinheiro de recompensas de staking para ETFs de ETH e SOL, enquanto ambas as redes consideram mudanças de protocolo que reduziriam as recompensas de staking ao cortar a emissão ou aumentar as queimas. Isso desloca a proposta de valor do rendimento para a escassez: não participantes do staking enfrentam menos diluição, mas stakers, validadores e acionistas de ETFs veem menor renda distribuível. No curto prazo, isso intensifica o foco nos desfechos de governança e nos impactos subsequentes sobre as taxas de DeFi e a economia do staking.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
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Documentos protocolados pela Grayscale na SEC em 17 de julho indicam que seus ETFs de staking de Ethereum e Solana devem transformar as recompensas de staking em caixa e repassá-las aos cotistas ao menos trimestralmente, com expectativa de implementação por volta de 7 de agosto. Em paralelo, as duas redes analisam ajustes de protocolo que reduziriam essa renda na origem. Na Solana, desenvolvedores defendem acelerar a desinflação para derrubar o rendimento nominal modelado do staking de 5,84% hoje para 2,25% em três anos. No Ethereum, pesquisadores apresentaram no início de agosto um rascunho de proposta que queimaria uma fatia crescente das recompensas dos validadores conforme mais ETH for colocado em staking. Projeções de inflação anual da oferta de tokens para Bitcoin, Ethereum e Solana apontam trajetória de queda em direção a taxas baixas de um dígito. Solana: SIMD0550 mira desinflação mais rápida A proposta SIMD0550 dobraria a taxa anual de desinflação da rede de 15% para 30%. Com isso, a inflação terminal de 1,5% seria atingida em cerca de 2,8 anos, bem abaixo dos 5,7 anos do cronograma atual. Sob a hipótese de 68% da oferta em staking, o rendimento nominal modelado cairia de 5,84% atualmente para 4,34% no primeiro ano, 3,00% no segundo e 2,25% no terceiro. O custo desse aperto é uma emissão menor: 18,9 milhões de SOL a menos entrando em circulação em seis anos, avaliados em aproximadamente US$ 1,47 bilhão ao preço atual próximo de US$ 77,97 — valor próximo dos US$ 1,51 bilhão citados pelos autores como referência. Para o investidor, a redução no fluxo de recompensas é material. No cronograma vigente, um staker ao longo de três anos acumularia cerca de 13,15% em rendimento simples; pela proposta, esse número cairia para aproximadamente 9,89%. Para compensar a diferença no retorno total, o SOL precisaria se valorizar cerca de 3% a mais em três anos. Ethereum: EIP8363 propõe queimar mais recompensas conforme o staking cresce O rascunho EIP8363, apresentado no início de agosto, prevê que uma parcela crescente da emissão destinada a validadores seja queimada à medida que a razão de staking aumenta. O desenho chega a queimar 100% das recompensas de consenso quando aproximadamente metade do suprimento de ETH estiver em staking. Um dos autores alertou que, sem reforma, a entrada contínua de validadores pode empurrar mais de 70 milhões de ETH — acima de 55% da oferta — para staking até janeiro de 2028. O objetivo declarado é evitar que a rede pague cada vez mais emissão para atrair stake quando já houver ETH suficiente garantindo a segurança do sistema. Resumo dos modelos Solana (SIMD0550): dobra a desinflação anual de 15% para 30%; rendimento modelado sai de 5,84% hoje para 2,25% no terceiro ano; efeito de oferta: 18,9 milhões de SOL a menos emitidos em seis anos. Ethereum (EIP8363): queima parcela crescente da emissão dos validadores conforme o staking sobe; o yield de staking em ETH varia conforme as condições; meta: queima de 100% das recompensas de consenso quando cerca de 50% da oferta estiver em staking; efeito: desacelera ou elimina a emissão líquida vinculada a recompensas conforme o staking cresce. Por que reduzir o yield: o argumento econômico Na Solana, a defesa da proposta trata o staking nativo como algo próximo de uma taxa “quase livre de risco” dentro do ecossistema. Com 5,84% no staking passivo, empréstimos, provisão de liquidez e outras estratégias DeFi precisam superar esse patamar antes de compensar o risco adicional. Ao reduzir o yield, a expectativa é redirecionar capital para usos produtivos no DeFi. No debate do Ethereum, participantes lembram que staking não é exatamente livre de risco por envolver slashing e riscos operacionais do validador, o que limita a analogia com uma taxa sem risco. As duas redes tentam combinar dois movimentos que políticas monetárias tradicionais raramente fazem ao mesmo tempo: cortar a taxa nativa de retorno e, simultaneamente, apertar a expansão futura da oferta. Quem ganha e quem perde Detentores de ETH/SOL sem staking: tendem a se beneficiar, pois menor emissão reduz diluição sem abrir mão de uma renda que não era recebida. Stakers passivos: perdem renda, já que o “bolo” de recompensas no nível do protocolo encolhe. Cotistas de ETFs: devem receber distribuições em caixa menores; o modelo da Grayscale repassa o que existir de recompensa, e a redução do protocolo diminui a base distribuível. Validadores: enfrentam pressão de margem; operadores pequenos ficam mais expostos porque custos fixos se diluem sobre menos capital. Tomadores e provedores de liquidez no DeFi: podem se beneficiar se yields menores de staking reduzirem a taxa mínima exigida para assumir risco em outras estratégias. Entusiastas do ativo: ganham em narrativa, com ETH e SOL mais fáceis de posicionar como ativos de escassez, aproximando-se do argumento de oferta do Bitcoin. Impacto em validadores e estrutura do mercado As simulações da Solana indicam que o cronograma acelerado colocaria 2 validadores adicionais em território não lucrativo no primeiro ano, 13 no segundo e 30 no terceiro, de um total de 738 validadores modelados. No Ethereum, a discussão levanta preocupações mais fortes sobre pequenos validadores solo, já que grandes custodiante e empresas de staking conseguem diluir custos fixos em volumes maiores de ETH e, muitas vezes, têm fontes de receita complementares. Esse ponto segue sem consenso nos fóruns. Tese otimista, tese negativa e risco político A favor: o mercado poderia precificar a redução de diluição de forma mais rápida e duradoura do que precifica a perda de yield, numa lógica semelhante ao Bitcoin, cuja narrativa de escassez prospera sem pagar rendimento. Nesse cenário, as distribuições dos ETFs encolhem ao longo do tempo, e a valorização do token compensa no retorno total. Contra: investidores podem tratar o corte de recompensas como o que ele é — uma redução de pagamento — num contexto em que caixa e Treasuries de curto prazo ainda oferecem yield competitivo com menos risco. O “pitch” de renda dos produtos de staking enfraquece, e validadores marginais e stakers solo tenderiam a recuar primeiro. Há ainda um risco de economia política: quanto mais negócios passam a depender da renda do staking, mais difícil se torna aprovar mudanças. Participantes do debate do EIP citam explicitamente protocolos de staking, plataformas DeFi e ETFs como segmentos que perderiam com menor emissão. Gestores que cobram taxas sobre produtos de staking passam a ter incentivo financeiro direto nas definições de recompensas, como ocorre com detentores de títulos em decisões de juros. No fim, Ethereum e Solana estão fazendo uma aposta: priorizar escassez em vez de rendimento. O resultado depende de uma variável fora do controle de qualquer upgrade — quanto os investidores estão dispostos a pagar por escassez por si só.