Galaxy aponta retirada de US$ 70 milhões em Bitcoin de 1.196 carteiras Coldcard antes de falha vir a público

Resumo de mercado por IA
A Galaxy Research relata que 1.082,65 BTC (~US$70,2 milhões) foram drenados de 1.196 carteiras Coldcard Mk3 por meio de uma falha de RNG em versões específicas de firmware, ocorrendo ~30 horas antes da divulgação pública. O incidente abala a confiança na geração de chaves de carteiras de hardware e destaca riscos operacionais para detentores há muito tempo inativos. No curto prazo, a notícia pode elevar o risco percebido de custódia, aumentar movimentações de fundos motivadas por segurança e pesar sobre o sentimento mais amplo do mercado cripto.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
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Carteiras físicas costumam ser tratadas como o padrão-ouro de segurança em cripto: chaves privadas offline, longe de hackers, corretoras e de qualquer conexão com a internet. Para usuários de determinados dispositivos Coldcard Mk3, essa promessa ganhou uma nota de rodapé cara. Segundo a Galaxy Research, em 30 de julho de 2026 atacantes esvaziaram 1.082,65 BTC (cerca de US$ 70,2 milhões) de 1.196 carteiras em aproximadamente 41 minutos. A exploração ocorreu cerca de 30 horas antes de a Coinkite, empresa responsável pela Coldcard, divulgar publicamente uma vulnerabilidade crítica no firmware. O que falhou e por que isso importa O problema estava no gerador de números aleatórios (RNG) presente nas versões 4.0.1 a 5.0.3 do firmware da Coldcard Mk3. Ao configurar uma carteira de hardware, o dispositivo cria uma seed de recuperação — na prática, uma senha-mestra derivada de números aleatórios. Se esses números não forem realmente aleatórios, a seed pode se tornar previsível. Seed previsível abre caminho para que um invasor que entenda o padrão calcule a chave privada sem sequer ter contato com o aparelho. A equipe de engenharia da Block identificou de forma independente a causa raiz da falha no RNG e publicou um relatório detalhado no mesmo dia em que a Coinkite emitiu o alerta de segurança. As duas divulgações saíram em 30 de julho de 2026 — quando, na prática, as carteiras já estavam vazias. A Coinkite afirmou que a vulnerabilidade não atingia todos os dispositivos Coldcard, apenas aqueles com as versões comprometidas do firmware. A orientação foi para que usuários afetados gerassem seeds de recuperação totalmente novas imediatamente e transferissem os fundos. Como o ataque aconteceu O que chama atenção é a eficiência do esvaziamento. Levar 41 minutos para varrer 1.196 carteiras e mais de US$ 70 milhões em Bitcoin não sugere uma ação manual. A operação exigiu automação, reconhecimento prévio e uma lista preparada de endereços vulneráveis. Dados on-chain indicaram que as carteiras de origem estavam inativas havia longos períodos antes do ataque. Isso sugere que os alvos eram holders de longo prazo, que configuraram seus dispositivos anos atrás e não movimentavam os recursos, provavelmente por confiar na segurança do hardware. Após o início da varredura, os valores roubados foram rapidamente consolidados em menos endereços. A pesquisa da Galaxy destacou que um endereço específico recebeu aproximadamente 594 BTC. A janela de 30 horas e o que ela sugere O ponto mais sensível é o timing. As carteiras foram esvaziadas cerca de 30 horas antes da divulgação pública da Coinkite. A defasagem levanta uma pergunta inevitável para a comunidade de segurança: quem sabia dessa vulnerabilidade — e quando? É possível que o atacante tenha descoberto a falha de RNG de forma independente e agido antes de Coinkite e Block publicarem suas análises. Nem a Coinkite nem a Galaxy apontaram qualquer irregularidade no processo de divulgação. O alerta da Coinkite não fez alegações sobre conhecimento prévio por parte do invasor e concentrou a comunicação em ações imediatas: gerar novas seeds e checar qual versão de firmware estava instalada. O recado para usuários de carteiras físicas Para quem guarda cripto em hardware wallet, a conclusão é direta: versões de firmware não são atualizações cosméticas. Uma falha de RNG é próxima do pior cenário possível, por minar a base da geração de chaves. Usuários de qualquer carteira física devem saber qual versão de firmware utilizam e verificar se o fabricante publicou alertas de segurança. A velocidade e a escala do desvio de US$ 70,2 milhões também evidenciam o nível de sofisticação do atacante: conhecimento técnico para explorar um problema de RNG, infraestrutura para automatizar varreduras em quase 1.200 carteiras ao mesmo tempo e disciplina operacional para agir dentro de uma janela estreita antes da divulgação pública.