Galaxy Research confirma roubo de 1.367 BTC em ataque a firmware do Coldcard Mk3

Resumo de mercado por IA
A Galaxy Research relata que 1.367,05 BTC (~US$ 88,6 milhões) foram roubados por meio de uma fraqueza no RNG do firmware do Coldcard Mk3, afetando seeds geradas nas versões 4.0.1+ (introduzida em 2021), com três ondas coordenadas de sweep e movimentação mínima dos fundos após o roubo. A revisão aumenta materialmente as perdas estimadas e destaca o risco sistêmico de autocustódia para usuários de assinatura única em dispositivos comprometidos, potencialmente pressionando o sentimento do Bitcoin no curto prazo e o escrutínio sobre provedores de custódia.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
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Carteiras de hardware deveriam funcionar como cofre, não como ponto de falha. Uma vulnerabilidade recém-identificada no firmware do Coldcard Mk3 inverteu essa lógica. A Galaxy Research confirmou que 1.367,05 BTC (cerca de US$ 88,6 milhões) foram drenados em três ondas coordenadas, atingindo 4.585 endereços afetados. O tamanho do prejuízo surpreende. Estimativas anteriores falavam em aproximadamente 594 BTC roubados de cerca de 500 endereços. A análise onchain da Galaxy mais do que dobrou esse número, indicando uma operação bem mais ampla e metódica do que se entendia no início. A maior ofensiva ocorreu em 30 de julho de 2026. Em apenas 41 minutos, os atacantes varreram 1.082,65 BTC, o equivalente a aproximadamente US$ 70,2 milhões. Segundo a Galaxy, as duas primeiras ondas exibiram "impressões digitais" praticamente idênticas nas transações: taxas fixas (hardcoded) de 30 sat/vB e o mesmo padrão de agrupamento (batching). A consistência sugere um único operador ou, no mínimo, o uso de uma mesma ferramenta. Já a terceira onda destoou desse padrão, sinalizando outro agente ou uma mudança deliberada de tática. Até aqui, os fundos roubados seguem majoritariamente parados. O BTC não foi movimentado de forma relevante desde os ataques e permanece concentrado em um pequeno número de endereços controlados pelos invasores. A falha: "aleatoriedade" previsível O problema está no firmware do Coldcard Mk3. Em versões 4.0.1 e posteriores, introduzidas em março de 2021, o gerador de números aleatórios (RNG) passou a produzir saídas fracas e previsíveis. As seeds geradas não eram de fato aleatórias. Com poder computacional suficiente, um atacante poderia enumerar possíveis seeds offline, associá-las a endereços reais na blockchain e então esvaziar fundos de endereços de assinatura única (single-signature), sem precisar de acesso físico ao dispositivo. A equipe de engenharia da Block é creditada por trazer o tema do RNG a público. A Coinkite, empresa responsável pelo Coldcard, publicou um alerta cerca de 30 horas após o início das primeiras varreduras. Os modelos Coldcard Mk4, Q e Mk5 não parecem ser afetados pela mesma falha. Para usuários com valores em carteiras Mk3 potencialmente comprometidas, a recomendação é gerar seeds totalmente novas nesses modelos mais recentes, em vez de apenas transferir saldos dentro da mesma geração de hardware. Implicações para segurança e investidores O comportamento de taxas chama atenção. A taxa fixa de 30 sat/vB usada nas duas primeiras ondas ficou entre 30 e 75 vezes a taxa mediana do período, de acordo com a Galaxy. Na prática, os atacantes aceitaram pagar bem mais para garantir confirmações rápidas. Para quem mantém Bitcoin de forma ativa, a questão imediata é a exposição. Usuários de Coldcard Mk3 com firmware a partir da versão 4.0.1 devem considerar a seed atual como potencialmente comprometida e migrar os fundos para uma carteira nova, gerada em hardware não afetado. Verificar o histórico da versão do firmware e cruzar as informações com o alerta da Coinkite é o primeiro passo prático.