Falha antiga no firmware da Coldcard permitiu roubo de 1.082 BTC antes de alerta público
Resumo de mercado por IA
Uma falha de entropia no firmware da Coldcard, de longa duração, possibilitou a recriação offline de chaves e o roubo rápido de ~1.082,65 BTC de ~1.100 carteiras antes de um alerta público, destacando o risco de cadeia de suprimentos/firmware de carteiras de hardware. O incidente pode elevar preocupações com contraparte e custódia, incentivar migrações aceleradas de carteiras e aumentar o risco operacional percebido para autocustódia. No curto prazo, pode pressionar o apetite ao risco em cripto à medida que investidores reavaliam premissas de segurança em torno da geração de seed e do firmware do dispositivo.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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Uma vulnerabilidade de firmware que passou despercebida por anos resultou em um dos maiores roubos recentes envolvendo carteiras físicas de Bitcoin. Mais de 1.082 BTC, avaliados em cerca de US$ 70 milhões, foram retirados de forma discreta de mais de 1.100 carteiras antes de a Coinkite, fabricante da Coldcard, emitir um aviso público sobre o problema.
Levantamento da Galaxy Research indica que o invasor esvaziou 1.196 endereços de Bitcoin entre 01:10 e 01:51 (UTC) de 30 de julho, drenando aproximadamente 1.082,65 BTC em apenas 41 minutos. O movimento ocorreu quase 30 horas antes de a Coinkite alertar que determinados dispositivos Coldcard poderiam estar expostos.
Em vez de comprometer os aparelhos diretamente, os pesquisadores avaliam que o atacante recriou chaves privadas fora do dispositivo ao explorar uma fraqueza no processo de geração das frases de recuperação (seed) em parte dos equipamentos. O alvo principal teria sido carteiras criadas em Coldcard Mk3 com firmwares 4.0.1 a 5.0.3, versões lançadas originalmente em março de 2021.
A Galaxy Research observou que todas as transações adotaram a mesma taxa incomumente alta de 30 sat/vB e não deixaram saída de troco, padrão que sugere posse prévia das chaves privadas e simples automação dos saques.
O que enfraqueceu a segurança das seeds
Especialistas em segurança explicam que a origem do problema está em uma atualização de 2021. Em condições normais, carteiras de hardware criam frases de recuperação com um gerador de números aleatórios dedicado em hardware, o que torna as chaves praticamente impossíveis de adivinhar. Engenheiros da Block identificaram que um erro de código desativou essa fonte de aleatoriedade nos dispositivos afetados.
Com isso, a geração das seeds passou a depender de um gerador de números aleatórios por software baseado em informações previsíveis, como número de série do aparelho e relógio interno. Na prática, a entropia caiu de 128 bits para cerca de 40 bits em unidades Mk3 vulneráveis, abrindo espaço para ataques de força bruta em larga escala com capacidade computacional atual.
Posteriormente, a Coinkite ampliou o alerta para abranger determinadas versões de firmware de Mk4, Mk5 e Coldcard Q, nas quais a entropia teria recuado para aproximadamente 72 bits. A empresa afirmou que a arquitetura mais recente reduz de forma relevante o risco total.
Centenas de BTC seguem parados após consolidação
Após o roubo, os bitcoins foram rapidamente consolidados em algumas carteiras. Pesquisadores apontam um endereço que ainda mantém mais de 562 BTC. Outros endereços concentram 398 BTC, 89 BTC e 32 BTC, sem movimentações depois da consolidação.
A Coinkite orientou usuários que geraram frases de recuperação em firmwares afetados a migrarem imediatamente os fundos para uma nova carteira criada com a versão mais recente do firmware. A companhia destacou que quem utilizou uma passphrase adicional no padrão BIP39 corre risco bem menor, já que a passphrase adiciona uma camada extra de proteção além da seed comprometida.
Para especialistas, o invasor pode ter pré-gerado milhões de chaves possíveis e apenas aguardado o surgimento de carteiras correspondentes na rede Bitcoin. A avaliação é de que ainda pode haver outras carteiras vulneráveis, caso os proprietários não transfiram os fundos.