Falha na semente do Coldcard expõe 2.055 BTC e gera perdas de US$ 130 milhões em 7.700 endereços
Resumo de mercado por IA
Relatórios que citam a Galaxy Research estimam que ~2.055 BTC (~US$130M) foram roubados em 7.700+ endereços devido a uma falha na geração de seed do Coldcard que reduziu a entropia e permitiu a busca offline por chaves sob dados restritos do dispositivo. Múltiplas ondas rápidas de varredura onchain sugerem exploração sistemática e risco operacional contínuo. Embora exista firmware de emergência disponível, seeds comprometidas permanecem vulneráveis, elevando, no curto prazo, o escrutínio sobre custódia, confiança em carteiras e conformidade entre usuários de Bitcoin e provedores de serviços.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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Estimativas da Galaxy Research, citadas pela conta de análise Lookonchain, apontam que as perdas associadas ao ataque envolvendo carteiras Coldcard somam cerca de 2.055 Bitcoin (BTC), o equivalente a US$ 130 milhões, distribuídas por mais de 7.700 endereços de vítimas. O cálculo veio após relatos de múltiplas ondas de "varredura" on-chain supostamente ligadas a uma falha na geração de seeds em dispositivos da canadense Coinkite.
O problema afetou firmwares vulneráveis e teria permitido que invasores derivassem e testassem chaves candidatas offline, caso conseguissem determinar — ou restringir suficientemente — informações relevantes do dispositivo. Segundo a análise, um erro de integração no firmware de março de 2021 passou a direcionar a geração de seed para um gerador determinístico de números pseudoaleatórios (PRNG) em software, em vez de usar o gerador de números aleatórios (RNG) em hardware do STM32.
Na prática, a configuração de produção definia o macro de hardware RNG como zero, enquanto a biblioteca libngu verificava apenas se o macro existia, e não se estava habilitado. Com isso, a compilação ficava vinculada ao fallback Yasmarang do MicroPython. Esse fallback era inicializado a partir de identificadores únicos do chip e registradores de timer, sem coletar nova entropia após a inicialização. A Block afirmou que um atacante capaz de determinar ou limitar o UID do dispositivo, o estado do timer e o histórico prévio de chamadas ao RNG conseguiria reproduzir fluxos de saída candidatos offline, derivar endereços e compará-los com dados públicos da blockchain.
Em comunicado de urgência, a Coldcard orientou usuários a procederem com migração cuidadosa. Para Mk3 com seed gerada no 4.0.1+ sem pelo menos 50 rolagens privadas e independentes de dados, a recomendação é iniciar a migração imediatamente. Para Mk4/Mk5 com versão inferior a 5.6.0 ou modelo Q com versão inferior a 1.5.0Q, a orientação é atualizar primeiro, gerar uma nova seed e então migrar.
A Coinkite estimou a entropia efetiva das seeds afetadas em cerca de 40 bits no hardware Mk3 e aproximadamente 72 bits nos modelos Mk4, Mk5 e Q — abaixo dos 128 bits esperados em uma seed BIP39 de 12 palavras. A Block destacou que o custo prático de reproduzir seeds depende das informações disponíveis sobre o UID, do timing de boot, do histórico de chamadas ao RNG e do custo de derivação.
O caso reforça a importância de segurança na geração de seeds e de auditorias em falhas críticas em repositórios open source usados por hardware criptográfico. A Coinkite lançou firmwares emergenciais para modelos afetados e trilhas de release em 31 de julho, mas a instalação da atualização não corrige uma seed já enfraquecida. A empresa recomenda gerar uma nova seed em firmware corrigido e transferir os fundos; restaurar a seed antiga mantém a fragilidade.
Análises on-chain sobre as supostas ondas de varredura indicaram uma primeira ação em 30 de julho, que drenou 1.082,65 BTC de 1.196 endereços em 41 minutos — média próxima de 1 BTC por endereço. Monitoramento posterior, citado em reportagem da CoinDesk, identificou uma terceira onda suspeita que retirou cerca de 208 BTC de 1.912 endereços, pouco acima de 0,1 BTC por vítima. Nessa etapa, as transações agruparam em média seis vítimas por varredura, enviaram os fundos de cada vítima para um destino separado e usaram saídas pay-to-witness-script-hash (P2WSH), em vez das saídas simples de chave única observadas nas ondas anteriores.
A Galaxy Research afirmou ter alto grau de confiança de que cada onda foi executada internamente por um único operador, mas ressaltou que os dados on-chain não permitem concluir se o mesmo atacante foi responsável pelas três ondas. A empresa também disse não ter confirmado computacionalmente que todos os endereços identificados foram gerados com entropia fraca do Coldcard. A Galaxy informou ter reportado cerca de 600 endereços supostamente controlados pelo atacante a investigadores federais, empresas de compliance e equipes de cibersegurança.