Falha no RNG do firmware da Coldcard é associada a roubo de US$ 88,6 mi em BTC; usuários são orientados a migrar as seeds
Resumo de mercado por IA
Pesquisas on-chain vinculam um roubo estimado de 1.367 BTC (US$ 88,6 milhões) a seeds fracas geradas por um firmware vulnerável da Coldcard que usava um fallback determinístico de RNG. Os usuários são orientados a migrar os fundos para novas seeds, recém-geradas, em firmware corrigido, pois as correções não conseguem restaurar a entropia de seeds antigas. O incidente pode pressionar o sentimento no curto prazo em torno da segurança da autocustódia, ao mesmo tempo em que ressalta que o protocolo do Bitcoin não foi comprometido.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
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Usuários da carteira de hardware Coldcard receberam um alerta de alta urgência em 1º de agosto após pesquisas on-chain ligarem ondas de furtos a seeds geradas por versões vulneráveis do firmware. O colaborador do Dogecoin Mishaboar recomendou que qualquer pessoa que já tenha usado um dispositivo Coldcard “migre seus fundos para uma nova carteira imediatamente”, sem reutilizar a seed antiga e sem digitar as palavras de recuperação em um computador conectado à internet.
A Galaxy Research afirma ter identificado, em sua análise on-chain mais recente, três ondas suspeitas que, somadas, movimentaram 1.367,05 BTC (cerca de US$ 88,6 milhões) a partir de 4.585 endereços. O número é uma estimativa observada na blockchain e ainda não foi confirmado pela Coinkite, por autoridades ou por todos os usuários afetados.
Segundo a Galaxy, a maior onda retirou 1.082,65 BTC de 1.196 endereços em aproximadamente 41 minutos, em 30 de julho. Uma onda posterior varreu cerca de 208 BTC de 1.912 endereços; o saldo médio por endereço caiu para pouco mais de 0,1 BTC, sinalizando uma possível mudança de foco de grandes posições para muitas carteiras menores. A empresa disse que cada onda parece consistente, internamente, com um único operador, mas não conseguiu comprovar que todas foram conduzidas pelo mesmo agente.
A terceira onda teria usado técnicas diferentes de coleta, incluindo endereços de destino separados, agrupamento de várias vítimas em uma única transação e verificação apenas do caminho de derivação padrão. A Galaxy também alertou que seus padrões conhecidos não capturam todos os furtos: outros atacantes podem criar transações válidas sem repetir as mesmas taxas, formatos de destino ou métodos de coleta observados.
Modelos e firmwares afetados
A Coinkite restringe o problema a seeds criadas em:
- Mk2 e Mk3 com firmware v4.0.1 a v4.1.9
- Mk4 e Mk5 com firmware anterior ao standard v5.6.0 ou ao Edge v6.6.0X
- Coldcard Q: correção no standard v1.5.0Q e no Edge v6.6.0QX
Os dispositivos Mk1 ficam fora da regressão de firmware identificada. TAPSIGNER, OPENDIME e SATSCARD não são afetados por utilizarem bases de código diferentes. A Coinkite informou que a apuração continua e que publicará um relatório técnico formal.
Causa técnica apontada
A equipe de engenharia e segurança de Bitcoin da Block atribuiu a falha a um erro de integração no firmware: ao gerar seeds, as builds afetadas recorreram a um fallback determinístico do MicroPython em vez de usar o gerador de números aleatórios por hardware (RNG) do STM32. No firmware v4 dos Mk2 e Mk3, esse fallback teria adicionado praticamente nenhuma entropia criptográfica. Em modelos mais recentes, houve um reseed limitado pelo secure element, mas as seeds criadas anteriormente permaneceriam fracas. A Block ressalta que essa é sua avaliação técnica atual e que não testou empiricamente todos os dispositivos.
O que fazer agora
A orientação é não reutilizar a seed antiga da Coldcard. Gere uma seed totalmente nova em um dispositivo com correção aplicada ou em outra carteira. Instale o firmware corrigido da Coinkite para o seu modelo antes de criar qualquer seed de substituição.
Ao migrar, registre e verifique o novo backup, confira o endereço de recebimento na tela do dispositivo e envie primeiro uma transação de teste pequena. Só transfira o restante do saldo após confirmar a chegada dos fundos de teste. Mantenha o backup antigo até concluir toda a migração.
Evite inserir a frase-semente em um computador conectado à internet. Guarde cópias offline em locais separados e seguros para reduzir exposição a phishing, malware e erros de sincronização em nuvem. Mishaboar também reiterou que adicionar uma passphrase extra BIP-39 (a “25ª/13ª palavra” na Coldcard) e usar passphrases fortes ajuda, mas a Coinkite alerta que uma passphrase não corrige uma seed já comprometida. Passphrases curtas ou reutilizadas continuam vulneráveis.
Exceção limitada e ressalvas
A Coinkite afirmou que usuários que adicionaram pelo menos 50 rolagens de dado justas, independentes e privadas antes das palavras finais da seed (contribuindo com ≥128 bits de entropia independente) podem estar seguros. Quem fez menos de 50 rolagens, não lembra a quantidade ou expôs a sequência deve migrar. As correções impedem novas seeds fracas, mas não adicionam entropia retroativamente a seeds já criadas. Importar uma seed insegura para outra carteira mantém a fragilidade.
Repercussão e próximos passos
O investidor de Bitcoin Anthony Pompliano comentou que o episódio reforça o quão técnico pode ser manter autocustódia com segurança: os atacantes teriam reproduzido chaves privadas, mas o protocolo do Bitcoin não foi comprometido. As perdas também reacenderam debates sobre custódia institucional e ETFs de Bitcoin à vista como alternativa para quem prefere não administrar chaves privadas.
A Coinkite já liberou atualizações de firmware para os modelos afetados e segue investigando. A Galaxy e outros pesquisadores podem atualizar as análises de endereços conforme identifiquem novas vítimas. Até a conclusão das apurações, o valor de US$ 88,6 milhões permanece uma estimativa on-chain, não um total confirmado. Quem possui qualquer dispositivo Coldcard deve consultar o comunicado oficial da Coinkite referente ao seu modelo e atualizar o firmware imediatamente antes de gerar uma nova seed.