Fed mantém juros; Citi adia 1º corte para outubro de 2026

O Federal Reserve decidiu em 17 de junho manter a taxa dos fed funds na faixa de 3,5%–3,75%. Em participação no programa "Real Yield", da Bloomberg, Mark Cabana, co-chefe de pesquisa de juros globais da BofA Securities, avaliou o recado mais recente do banco central para renda fixa e para a economia. A principal leitura: o Citigroup adiou sua projeção para o primeiro corte de juros para outubro de 2026, um mês depois da estimativa anterior, de setembro. A revisão veio após as novas projeções divulgadas pelo Fed junto com a decisão de manter os juros inalterados. Mercado de trabalho firme, inflação resistente Em maio de 2026, o payroll (emprego não agrícola) registrou alta de 172 mil vagas, acima do esperado, e manteve a taxa de desemprego em 4,3%. Os fed funds estão parados em 3,5%–3,75% desde dezembro de 2025, após três cortes de juros realizados nos últimos meses do ano passado. Cabana conversou com Jamie Patton, co-chefe de juros globais da TCW, em entrevista conduzida por Scarlet Fu. O foco foi entender por que as projeções revisadas indicam pouca pressa do Fed em voltar a cortar juros, em especial diante da resiliência do mercado de trabalho. A projeção para a inflação cheia no fim de 2026 está em 3,6%, bem acima da meta de 2%. Essa distância limita o espaço para flexibilizar a política monetária sem comprometer a credibilidade. Impacto em mercados e liquidez Para a renda fixa, o adiamento do início do ciclo de afrouxamento tende a adicionar volatilidade às taxas. O setor imobiliário também sente o aperto: sem alívio do Fed, compradores e incorporadoras seguem enfrentando condições de financiamento mais caras. Cripto também reage a juros Com os fed funds travados em 3,5%–3,75% e sem corte esperado antes de outubro, o cenário aponta para um período prolongado de condições financeiras restritivas. Os três cortes do fim de 2025 coincidiram com um aumento relevante da atividade no mercado de criptoativos. No novo cronograma do Citi, são esperados três cortes até o início de 2027: outubro e dezembro de 2026 e janeiro de 2027. O número de 172 mil vagas em maio vira referência. Se os payrolls de junho e julho vierem em linha ou mais fortes, a projeção de corte em outubro pode ser adiada, repetindo o que aconteceu com a previsão anterior para setembro.