Layer 2 do Ethereum, "Blast", inicia encerramento após custos superarem a receita

Resumo de mercado por IA
A L2 do Ethereum, Blast, será encerrada após os custos operacionais excederem a receita da chain, ressaltando a fragilidade de modelos de negócios de L2 impulsionados por incentivos à medida que a demanda onchain esfria. A equipe pediu que os usuários realizem o saque para a mainnet do Ethereum, com um atraso de 24 horas para saques, mas com uma pausa temporária enquanto ativos relacionados à Lido são desfeitos; os saques via interface seguem até 26 de outubro. A notícia pode pesar sobre o apetite a risco em L2 e sobre a liquidez associada em DeFi.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
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A rede Layer 2 do Ethereum Blast vai encerrar as operações. A equipe afirmou que a receita gerada pela cadeia não cobre os custos para mantê-la funcionando e orientou os usuários a retirarem os fundos para a mainnet do Ethereum. Em comunicado publicado no X na sexta-feira, o projeto disse não ver um "caminho crível" para tornar o negócio economicamente sustentável. O encerramento reacende o debate sobre a robustez de alguns modelos de L2 quando a demanda on-chain esfria. Usuários que se acostumaram à conveniência dessas redes, como saques mais rápidos e mecanismos de rendimento embutidos, podem enfrentar um processo de migração com prazos e restrições operacionais. Pontos principais A Blast diz que vai fechar porque os custos operacionais passaram a superar a receita da rede, sem "caminho crível" para sustentabilidade. O prazo de retirada (withdrawal delay) será reduzido para 24 horas, mas os saques ficarão temporariamente indisponíveis durante o desfazimento de ativos relacionados ao Lido. Os usuários poderão sacar pela interface da Blast até 26 de outubro. Depois disso, o resgate exigirá interação direta com os contratos da ponte (bridge) da Blast no Ethereum. A atividade DeFi da rede já encolheu de forma acentuada desde meados de 2024. Segundo a DeFiLlama, o TVL da Blast caiu mais de 98% em relação ao pico de junho. Economia da cadeia deixou de fechar a conta No post no X, a Blast lembrou que foi lançada com a proposta de construir uma "cadeia autossustentável" para usuários e desenvolvedores. A equipe reconheceu que a economia do projeto deixou de "fazer sentido" e tratou o encerramento como consequência direta do descompasso entre receita e custos recorrentes. A orientação imediata para retirada e migração para a mainnet do Ethereum indica que a prioridade é reduzir a exposição remanescente dos usuários dependentes da infraestrutura da rede. Cronograma de saques e mudanças após 26 de outubro A Blast informou que vai reduzir o withdrawal delay para 24 horas. Ainda assim, alertou que os saques ficarão temporariamente indisponíveis durante o processo de unwinding de ativos do Lido, que deve levar cerca de uma semana. A rede também fixou um prazo para uso da interface: até 26 de outubro, o saque poderá ser feito normalmente pela plataforma. Após essa data, os ativos continuarão acessíveis, mas o usuário terá de sacar interagindo diretamente com os contratos da bridge da Blast no Ethereum. O projeto afirmou que publicará instruções para esse procedimento antes de 26 de outubro e reforçou a recomendação de migrar os ativos para a mainnet antes do prazo. Crescimento, queda do TVL e retração da demanda on-chain O anúncio de encerramento ocorre após uma contração visível no ecossistema DeFi da Blast. Dados da DeFiLlama indicam que o TVL atingiu cerca de US$ 2,2 bilhões em junho de 2024 e, desde então, recuou mais de 98%. Quedas desse tamanho costumam sinalizar pressão sobre redes que dependem do dinamismo do ecossistema para gerar receitas que financiem a operação, sobretudo quando a monetização está ligada à execução, incentivos e outros fluxos sensíveis ao ciclo de mercado. No caso da Blast, a equipe atribuiu o fechamento à inviabilidade econômica, não a uma falha técnica. Vínculo com a Blur e sinais do desaquecimento em NFTs A Blast foi fundada por Tieshun "Pacman" Roquerre, criador do marketplace de NFTs Blur. A Blur foi lançada em outubro de 2022 com foco em traders profissionais e ganhou tração com incentivos em tokens. No fim de 2022, ultrapassou a OpenSea em volume negociado e manteve a liderança no início de 2023, impulsionada por airdrops e recompensas. Roquerre apresentou a Blast em novembro de 2023, destacando rendimento nativo em Ether ( ETH ) e stablecoins e um programa de pontos associado à expectativa de airdrop. O modelo atraiu depósitos relevantes, acima de US$ 2 bilhões, antes do lançamento da mainnet em fevereiro de 2024. Com a perda de fôlego do ciclo que sustentou a atividade em NFTs, o TVL da Blast desabou. Um movimento semelhante apareceu na própria Blur: dados da DeFiLlama citados na fonte indicam que o TVL da plataforma superou US$ 200 milhões em um pico no início de 2024 e depois caiu para cerca de US$ 27 milhões. Em conjunto, os dados reforçam um padrão recorrente no setor cripto: estratégias baseadas em incentivos podem acelerar a adoção em fases favoráveis, mas tendem a sofrer para se manter quando a demanda esfria, a liquidez migra ou a atenção do usuário muda. O que observar a seguir O ponto central para os usuários será acompanhar se a Blast publicará instruções claras, passo a passo, para saques via interação direta com os contratos de bridge no Ethereum antes de 26 de outubro. Outro fator é o prazo para conclusão do unwinding de ativos do Lido, que determinará quando os saques voltam a funcionar para quem está aguardando a liberação dos fundos.