Ethereum vê taxas encolherem e stablecoins saírem em meio a risco de consolidação

O Ethereum bate recordes de transações, mas arrecada menos por operação. No início de 2026, o preço médio do gas despencou para cerca de 0,5 gwei, com alguns intervalos chegando a 0,15 gwei. Como 1 gwei equivale a um bilionésimo de 1 ETH, o custo para transacionar na maior plataforma de contratos inteligentes do mundo virou praticamente irrelevante. Esse resultado reflete um sucesso do roteiro de escalabilidade. A atualização Dencun, implementada em 2024, reduziu de forma significativa o custo de publicar dados das redes de Camada 2 de volta na mainnet. A próxima atualização, Fusaka, esperada ainda neste ano, deve ampliar essa eficiência. Em um período recente de 30 dias, o Ethereum arrecadou aproximadamente US$ 10,3 milhões em taxas de transação, ficando atrás de Tron e Solana. Em média, os blocos têm sido preenchidos em torno de 62% da capacidade, longe dos níveis de congestionamento que historicamente pressionavam as taxas para cima. Na prática, isso significa menos ETH sendo queimado. Quando a taxa de queima fica abaixo da nova emissão, a oferta passa a crescer, em vez de encolher. As stablecoins também mostram perda de fôlego na rede. O USDT registrou mais de US$ 7 bilhões em saídas líquidas no Ethereum no 1º trimestre de 2026. Em abril de 2026, o volume de transferências de stablecoins na rede caiu 42,6% em uma única semana, mesmo com a contagem bruta de transações avançando 41% no mesmo período. Ainda assim, o Ethereum hospedava cerca de US$ 162 bilhões em stablecoins em março de 2026, aproximadamente 52% da oferta global. A liderança em estoque, porém, perde força quando o fluxo passa a ser negativo. Analistas da CryptoQuant apontam que a combinação de baixa atividade de rede e saídas de stablecoins, historicamente, tende a anteceder fases de estabilização de preços, e não movimentos bruscos em qualquer direção. No pano de fundo, cresce o debate sobre um possível vazamento de valor associado à estratégia de Camada 2. Redes como Arbitrum, Optimism e Base processam milhões de transações diárias a custo quase nulo, mas parte do valor econômico que antes chegava aos detentores de ETH via queima e gorjetas a validadores permanece cada vez mais dentro do ecossistema L2. Vozes do setor defendem mais urgência para elevar a capacidade da mainnet e recuperar atividade de liquidação de maior valor. A tese é que, se a camada base do Ethereum conseguir executar nativamente transações mais complexas e de alto valor, dependerá menos das Camadas 2 para escalar e poderá reter uma fatia maior da receita de taxas.