Opções de compra do dólar disparam após Fed sinalizar possível alta de juros

O Federal Reserve manteve os juros inalterados, mas elevou o tom. Após a reunião do FOMC em 17 e 18 de junho, operadores de câmbio correram para comprar opções de compra (calls) do dólar, apostando em nova valorização da moeda. A taxa básica foi mantida na faixa de 3,5% a 3,75%, mas as projeções vieram mais duras. A mediana para o juro no fim de 2026 ficou em 3,8%, e nove dos 18 dirigentes estimaram ao menos uma alta antes de dezembro. Na prática, o Fed indica que interrompeu os cortes por ora e que parte relevante da cúpula vê o próximo movimento como uma elevação, não uma queda. Dólar forte pressiona os demais ativos O índice do dólar (DXY) subiu para cerca de 100,71, perto da máxima de um ano. No rastro da decisão, mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado foram apagados de ações e criptoativos. O ouro acumulou perdas na semana. O bitcoin, que vinha tentando avançar, recuou aproximadamente 3% para perto de US$ 63.900 em 18 de junho. Ether e XRP também caíram, com o movimento do bitcoin chamando mais atenção. O mercado de opções reforça a leitura. A demanda não parece apenas por uma alta pontual: a compra de calls é uma aposta direcional de continuidade de fortalecimento do dólar ao longo de um período definido, diferente de uma simples proteção (hedge) de posições existentes. Kevin Warsh imprime viés mais hawkish A reunião também marcou a estreia do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, comandando um FOMC com inclinação mais hawkish. Com a faixa atual em 3,5% a 3,75% e a mediana projetada em 3,8%, a sinalização implícita é de pelo menos um aumento de 25 pontos-base. Com nove de 18 dirigentes apontando para esse cenário ou algo ainda mais agressivo, o recado foi direto. Impacto para investidores de cripto Analistas avaliam que, sem um catalisador relevante, o bitcoin pode seguir oscilando entre US$ 60.000 e US$ 70.000. Entre os fatores capazes de tirar o ativo desse intervalo estão uma legislação favorável ao setor cripto ou mudanças no quadro geopolítico.