Falha em carteira física Coldcard é associada a roubo de Bitcoin estimado em US$ 130 milhões
Resumo de mercado por IA
Uma pesquisa vincula um erro de configuração na produção da carteira de hardware Coldcard a uma entropia fraca de seed, permitindo a reconstrução offline de frases seed candidatas e varreduras on-chain em larga escala, supostamente totalizando até ~1.367 BTC e ~US$130M em perdas suspeitas. O incidente compromete a segurança percebida do armazenamento de chaves "offline", levanta preocupações de risco operacional e de contraparte em toda a autocustódia e pode aumentar o escrutínio sobre as cadeias de suprimentos de firmware de carteiras e os padrões de aleatoriedade na geração de chaves.
Nível de impacto
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Um dos principais argumentos a favor de carteiras físicas é o isolamento: chaves geradas e guardadas fora da internet reduzem ataques via rede. O episódio envolvendo a Coldcard mostra o limite dessa premissa. Segundo reportagem do The Hacker News publicada em 1º de agosto de 2026, com base em pesquisa da Block, invasores não precisaram acessar os aparelhos das vítimas. Eles teriam reconstruído, offline, frases-semente prováveis e validado os resultados apenas comparando com dados públicos do blockchain.
O problema apontado está na geração da seed no momento da criação. A Block atribuiu a origem a um erro de configuração na produção que remonta a março de 2021. Na compilação, uma macro chamada MICROPY_HW_ENABLE_RNG foi definida como zero, já que a Coinkite (empresa canadense por trás da Coldcard) fornece seu próprio wrapper de gerador de números aleatórios por hardware. O ponto crítico, segundo o The Hacker News, é que a biblioteca libngu verificava apenas se a macro existia, e não se estava ativada. Com isso, algumas versões passaram a depender do gerador de fallback Yasmarang do MicroPython, inicializado a partir do ID único do chip e de registradores de timer, sem coletar nova aleatoriedade depois.
A Coinkite estima que a entropia resultante tenha ficado em torno de 40 bits no modelo Mk3 e perto de 72 bits nos Mk4, Mk5 e Q, bem abaixo dos 128 bits esperados em uma seed BIP39 padrão de 12 palavras, ainda conforme o The Hacker News. A Block não divulgou um benchmark prático único de força bruta; preferiu estabelecer tetos condicionais e alertou que mesmo o valor mais alto não equivale a uma robustez criptográfica real de 73 bits.
Até onde os relatos públicos analisados indicam, não há um caso documentado em que uma seed específica de vítima tenha sido reconstruída e ligada, de forma verificável, a um endereço esvaziado.
Por que o "offline" não resolveu
O diferencial deste caso é que o dispositivo não precisou se conectar à internet para que o ataque fosse viável. A fragilidade estava no código que gerou a seed no dia em que ela foi criada. A Block concluiu que, uma vez que o atacante consiga restringir o ID único do dispositivo, o estado do timer e chamadas anteriores ao gerador, é possível produzir fluxos de seeds candidatas e testá-los totalmente offline, conferindo apenas contra informações visíveis no blockchain, segundo o The Hacker News. Nem o aparelho, nem o cofre, nem uma caixa de segurança foram parte da superfície de ataque.
Rastros on-chain e estimativas de valores
A Galaxy Research mapeou uma varredura (sweep) de 1.196 endereços de Bitcoin executada em 41 minutos em 30 de julho de 2026, movimentando 1.082,65 BTC, avaliados em cerca de US$ 70,2 milhões na época, de acordo com o The Hacker News. A Galaxy disse ao veículo não ter encontrado, nos 30 dias anteriores, outras transações de Bitcoin com a mesma taxa e a mesma assinatura de ausência de troco (no-change), e destacou que o padrão pode identificar um operador, mas não prova roubo, já que uma varredura "parece a mesma coisa que se o dono escolhesse mover as moedas".
Mais tarde, a Galaxy teria identificado duas ondas adicionais suspeitas. O total observado subiria para 1.367,05 BTC (cerca de US$ 88,6 milhões), distribuídos por 4.585 endereços, segundo o The Hacker News. A própria Galaxy alertou que uma onda posterior não deve ser automaticamente atribuída ao mesmo operador das duas primeiras e que nem todos os endereços marcados foram confirmados computacionalmente como derivados do bug de baixa entropia.
Carteira física vs. software: o mesmo elo fraco
O mecanismo que falhou na Coldcard — aleatoriedade insuficiente na geração da chave — não é exclusivo de hardware. O The Hacker News também relatou que uma pesquisa separada da Coinspect, chamada Ill Bloom, identificou falha de PRNG fraco em carteiras de software antigas, associada a mais de US$ 5 milhões drenados desde maio em endereços de Bitcoin, Ethereum, Tron, Rootstock e Polygon. O veículo trata os casos como incidentes distintos, não como um único bug, mas ambos reforçam que o código que gera números aleatórios é um ponto único de dependência, seja em um dispositivo dedicado, seja em um aplicativo.
Além da entropia, existe um risco diferente ligado a firmware: trata-se de código controlado pelo fabricante e atualizado periodicamente, que o usuário em geral não consegue auditar por completo antes de instalar. A Cointelegraph, em um resumo citado nesta compilação, descreveu atualizações de firmware como um "vetor de ataque perfeito" para acesso furtivo a chaves privadas — seja por "uma agência reguladora — ou pior, uma organização criminosa" — e mencionou a vulnerabilidade da Ledger em 2018 como exemplo histórico. Esse é outro modo de falha e não é o mesmo do caso Coldcard, que decorre de um erro não intencional introduzido em 2021; não há evidência, no material citado, de conexão entre os temas.
Correção não apaga seeds antigas
A Coinkite lançou firmware emergencial para todos os modelos e trilhas afetadas em 31 de julho de 2026, segundo o The Hacker News. No mesmo dia, o CEO da Coinkite, NVK, afirmou em carta aberta citada pela CoinDesk que os usuários deveriam "mover seus fundos agora", seguindo orientações atualizadas.
A atualização impede que novas seeds sejam geradas com a falha, mas não conserta seeds antigas criadas em firmware vulnerável. Restaurar uma seed antiga em um firmware corrigido — ou em outra carteira — mantém a fraqueza, segundo The Hacker News e CoinDesk. A exposição depende da versão de firmware que estava em uso quando a seed foi originalmente criada, não da versão instalada hoje.
Faixas de versões citadas como vulneráveis
Conforme o The Hacker News, a Coinkite lista o Mk3 nas versões 4.0.1 a 4.1.9 como afetado, com correção na 4.2.0, e não cita o Mk2. Já a descrição da Block coloca Mk2 e Mk3 (4.0.0 a 4.1.9) no caminho vulnerável. Para Mk4 e Mk5, seriam afetadas versões anteriores à 5.6.0; para o Q, anteriores à 1.5.0Q. Builds "edge" anteriores à 6.6.0X (Mk4/Mk5) ou 6.6.0QX (Q) também entrariam no conjunto afetado.
A Coinkite afirma que uma seed gerada com pelo menos 50 rolagens de dados justas, independentes e privadas não fica exposta a esse bug por si só; se o número de rolagens ou a privacidade delas for incerta, recomenda migração. Uma passphrase BIP39 forte e única cria uma carteira separada que não pode ser acessada apenas com as palavras da seed, mas a Coinkite ainda assim recomenda substituir a seed subjacente. Em configurações multisig, há proteção apenas quando o quórum de assinatura não é formado inteiramente por dispositivos afetados. Os produtos TAPSIGNER, OPENDIME e SATSCARD usam bases de código diferentes e não foram impactados, segundo o The Hacker News.
Quanto foi perdido, afinal?
Como o rastreamento on-chain da Galaxy Research seguia em andamento, diferentes veículos publicaram totais distintos em datas diferentes, sem que isso represente um número final auditado. Os valores citados incluem: US$ 38 milhões (CoinDesk, 31 de julho de 2026); 1.082,65 BTC (~US$ 70,2 milhões) no sweep inicial (The Hacker News, citando Galaxy); e 1.367,05 BTC (~US$ 88,6 milhões) em 4.585 endereços em atualização no mesmo relatório (The Hacker News, citando Galaxy). A Bloomberg mencionou mais de US$ 100 milhões (sem data indicada no material reunido). Em 4 de agosto de 2026, a TechCrunch informou cerca de US$ 130 milhões, citando a Galaxy Research, com corroboração verbal de que o número era aproximadamente correto por Tom Robinson, cofundador e cientista-chefe da Elliptic.
Para contexto setorial, a TechCrunch citou a TRM Labs ao afirmar que mais de 200 ataques a empresas cripto ocorreram em 2026 até então, com perdas totais acima de US$ 950 milhões — um agregado da indústria, não específico da Coldcard. A TechCrunch também mencionou que Jonathan Goodman declarou no X ter perdido US$ 1,6 milhão em uma Coldcard apesar de nunca compartilhar a seed nem conectar os dispositivos à internet; trata-se de relato próprio e não verificado nas evidências consideradas.
Limites do que se pode concluir com as fontes disponíveis
Com base apenas nas coberturas citadas, não é possível fixar um total final de perdas. Os números são recortes datados de uma investigação descrita como em andamento, e os veículos divergiram nas estimativas. Também não há, no conjunto de evidências aqui, confirmação on-chain independente do caso individual citado em rede social. O material disponível não permite afirmar se o Ill Bloom (Coinspect) tem relação técnica direta com a falha da Coldcard; o The Hacker News os trata como eventos separados. Não há identificação pública do(s) atacante(s), e a própria Galaxy alertou contra atribuir ondas distintas ao mesmo operador. Por fim, não há acesso direto, neste pacote, a documentos primários (alerta da Coinkite, paper da Block ou relatório da Galaxy), apenas a resumos jornalísticos, o que mantém as informações técnicas a um passo da fonte original.