Hackers desviam US$ 31,6 milhões após dois ataques a pontes cripto em 7 horas
Resumo de mercado por IA
Dois exploits de bridges totalizando ~US$ 31,6M (bridge relacionado à AFX na Arbitrum e a Verus Ethereum Bridge) destacam o risco operacional e de custódia persistente em cross-chain, incluindo indícios de comprometimento de chaves e um método repetido de "import path" que possibilita pagamentos sem lastro no lado do Ethereum. Embora a bridge nativa da Arbitrum não tenha sido violada, os incidentes podem reduzir o apetite por risco em DeFi e apertar a liquidez em ativos e integrações bridged.
Nível de impacto
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Falhas de segurança em infraestrutura crosschain seguem entre os principais pontos de fragilidade do mercado cripto. Investigadores relataram dois exploits distintos envolvendo pontes, ocorridos com poucas horas de intervalo. Segundo a empresa de análises on-chain Blockaid, o valor combinado roubado superou US$ 31,6 milhões, com perdas em infraestrutura de ponte usada pela exchange descentralizada de perpétuos AFX e pela Verus Ethereum Bridge.
A Blockaid informou que a ponte operada pela AFX perdeu US$ 24,15 milhões na quarta-feira. Pouco depois, um novo ataque teria atingido a Verus Ethereum Bridge, drenando cerca de US$ 7,5 milhões das reservas. A sequência reforça que operadores de pontes e protocolos que as integram podem ficar expostos mesmo quando o problema não está ligado a uma falha de nível de rede em uma única blockchain.
Principais pontos
A Blockaid apontou perdas de US$ 24,15 milhões em uma ponte operada pela AFX na Arbitrum e cerca de US$ 7,5 milhões drenados da Verus Ethereum Bridge em um intervalo de horas.
O cofundador da Offchain Labs, Stephen Goldfeder, afirmou que a ponte nativa da Arbitrum não foi hackeada e atribuiu o incidente a atividade originada em um protocolo de terceiros.
Pesquisadores de segurança avaliaram que o caso da AFX pode envolver chaves comprometidas, e não uma falha de lógica em smart contracts.
No episódio da Verus, a Blockaid disse que o método parece espelhar um incidente anterior de maio, com técnica semelhante, mas usando uma carteira de atacante diferente.
Os dois casos reforçam que pontes continuam sendo alvos valiosos por custodiar grandes volumes e transferir valor entre ecossistemas.
Ataque à ponte da AFX na Arbitrum: o que foi atingido
A Blockaid disse ter detectado um exploit às 21h30 (UTC) direcionado a uma ponte operada pela AFX, uma exchange descentralizada de contratos perpétuos na Arbitrum. A investigação caracterizou o evento como um comprometimento de ponte associado a uma integração de terceiros, não como uma violação da infraestrutura central de bridging da Arbitrum.
De acordo com Stephen Goldfeder, um relato de hack que circulou online se referia a uma transação originada em um protocolo de terceiros, e a ponte nativa da Arbitrum não teria sido explorada. Goldfeder afirmou que a transação em questão partiu de outro protocolo e enfatizou que a ponte nativa da Arbitrum "não foi hackeada nem explorada de nenhuma forma".
Uma análise adicional do SunSec, fundador da comunidade de segurança DeFi DeFiHackLabs e colaborador da SEAL, indicou que os indícios apontam mais para comprometimento de chaves do que para vulnerabilidade de lógica em smart contract. A diferença é relevante para a resposta ao incidente: quando há comprometimento de chaves, a prioridade costuma ser a rotação urgente de credenciais e uma revisão mais ampla de acessos, sugerindo que o ponto mais fraco nem sempre está nos contratos da ponte.
A Cointelegraph buscou comentários da AFX sobre o exploit relatado, mas as informações disponíveis aqui se baseiam no que a Blockaid e investigadores associados observaram durante o episódio.
Ataque à Verus Ethereum Bridge: método semelhante ao de maio
Em um segundo incidente, a Blockaid reportou um exploit contra a Verus Ethereum Bridge que drenou aproximadamente US$ 7,5 milhões em diversos ativos mantidos nas reservas da ponte. Entre os tokens listados estão Ether (ETH), tBTC, USDC, USDt, EURC, MKR e scrvUSD.
A Blockaid afirmou que o método do ataque parece semelhante ao de um caso anterior envolvendo a Verus Ethereum Bridge, reportado em maio, quando foram roubados US$ 11,58 milhões. Na ocasião, a empresa disse que a abordagem geral foi a mesma, mas executada por uma carteira de atacante diferente.
Segundo a Blockaid, o atacante teria usado o "import path" da ponte para acionar "pagamentos no lado do Ethereum sem lastro". Na prática, isso sugere uma fragilidade no fluxo operacional: seria possível induzir a ponte a liberar ativos em um lado do sistema sem a contrapartida correspondente no outro, abrindo caminho para esvaziar as reservas.
Para usuários e integradores, a repetição da tática mantém o alerta: mesmo após correções pontuais, a mecânica de importação e pagamento pode continuar explorável se as premissas do desenho do sistema não forem endereçadas de forma completa.
Por que falhas em pontes seguem recorrentes
Exploits em pontes são difíceis de eliminar por completo porque a infraestrutura crosschain costuma combinar múltiplos componentes: custódia de ativos, passagem de mensagens ou mecanismos de importação/exportação e permissões para acionar fluxos de liquidação. Quando atacantes encontram uma brecha entre esses elementos — seja por credenciais comprometidas, autorização incorreta ou fragilidades na validação de estados crosschain — o resultado frequentemente é a drenagem rápida de fundos.
O investigador on-chain TheCrypticWolf resumiu o problema em uma publicação no X, afirmando que pontes permanecem um elo fraco até que "a segurança seja aprimorada". Embora seja uma visão geral e não uma evidência nova específica, os dois ataques reportados no mesmo dia reforçam a tese: reservas de alto valor tornam as pontes atraentes, e a complexidade eleva o desafio de endurecimento completo.
Há também uma diferença importante entre os casos. No incidente da AFX, o relato da Blockaid veio acompanhado do esclarecimento de Goldfeder de que a ponte nativa da Arbitrum não foi comprometida, sugerindo falha em integração de terceiros ou em controles de ponte ligados a um protocolo específico. Já no caso da Verus, a descrição da Blockaid destaca como o mecanismo de importação pode levar a pagamentos no lado do Ethereum sem lastro adequado, um problema potencialmente mais ligado à lógica de liquidação e às premissas de estado.
O que acompanhar a partir daqui
Incidentes envolvendo pontes costumam levar a medidas emergenciais, como acionamento de pausas, reforço de monitoramento e mudanças em processos de custódia ou autorização. Vale acompanhar eventuais divulgações da AFX e do ecossistema Verus, sobretudo sobre o que a Blockaid e outros investigadores concluírem como causa raiz — comprometimento de chaves, falha de autorização ou uma fraqueza repetível nos fluxos de importação/exportação.
De forma mais ampla, os episódios reforçam que a exposição crosschain não recai apenas sobre quem opera pontes: aplicações descentralizadas e traders que dependem delas para liquidez e liquidação devem tratar segurança de pontes como um risco contínuo, não como um item resolvido uma única vez.
Este artigo foi originalmente publicado como Hackers Drain US$ 31,6M After Two Crypto Bridge Breaches in 7 Hours no Crypto Breaking News — fonte de notícias de cripto, Bitcoin e blockchain.