Bitcoin cai abaixo de US$ 77 mil com inflação mais forte e saídas de ETFs

O bitcoin (BTC) voltou a recuar na terça-feira, 10 de setembro, e perdeu o patamar de US$ 77 mil, ampliando a correção após novas tentativas frustradas na região de US$ 80 mil. O movimento veio na esteira de uma inflação mais quente nos EUA, alta dos rendimentos dos Treasuries e liquidações de posições alavancadas no mercado cripto. Durante a sessão, o BTC chegou a tocar cerca de US$ 76.650 antes de se estabilizar próximo de US$ 77.000. A pressão aumentou depois que o índice de preços ao produtor (PPI) de agosto veio em 5,4% na comparação anual, levando investidores a elevar as apostas em mais uma alta de juros pelo Federal Reserve na próxima semana. A Reuters estimou a probabilidade perto de 70%, acima de aproximadamente 65% antes da divulgação. A queda também desencadeou cerca de US$ 562 milhões em liquidações no mercado cripto. No caso do bitcoin, a onda ganhou força quando a zona de suporte em US$ 78.000 cedeu, forçando o encerramento de posições compradas. Com o BTC abaixo de US$ 78 mil, a área de US$ 75 mil passa a concentrar a atenção. US$ 75 mil vira o próximo grande teste O quadro técnico se deteriorou rapidamente após o bitcoin não conseguir sustentar US$ 78.000. Dados históricos de 10 de setembro indicam fechamento próximo de US$ 77.188, queda de cerca de 1,4% no dia, após máxima de US$ 78.541 e mínima de US$ 76.705. Análises técnicas recentes apontam US$ 75.000 como o primeiro suporte relevante na queda. Se o controle continuar com os vendedores, o próximo nível observado é a média móvel de 200 dias, em torno de US$ 72.500. No lado de cima, a resistência imediata está em US$ 78.000, seguida por US$ 81.000, reforçando a leitura de continuidade das repetidas rejeições do BTC perto de US$ 80.000. O Coinpaper destacou recentemente como o mercado mudou desde quando o BTC era negociado a US$ 8, com ETFs à vista nos EUA agora somando mais de US$ 103 bilhões em ativos. Ainda assim, esses produtos deixaram de oferecer o mesmo suporte de curto prazo. Fluxo de ETFs volta a ficar negativo Os ETFs à vista de bitcoin nos EUA registraram aproximadamente US$ 120,2 milhões em saídas líquidas em 9 de setembro, após retiradas de cerca de US$ 46,6 milhões em 8 de setembro. Com isso, o total em dois dias fica perto de US$ 167 milhões, marcando as primeiras duas sessões consecutivas de saídas desde meados de agosto. O ARKB liderou as retiradas em 9 de setembro, com cerca de US$ 78 milhões. O IBIT, da BlackRock, teve perda aproximada de US$ 19,5 milhões. A virada chama atenção porque, pouco antes da correção, os ETFs de bitcoin haviam atraído mais de US$ 1 bilhão em três pregões. CPI pode decidir entre US$ 75 mil e uma recuperação O próximo gatilho relevante é o CPI dos EUA. Os rendimentos dos Treasuries já subiram com força: o título de 10 anos alcançou aproximadamente 4,93%–4,95% em 10 de setembro, com o petróleo acima de US$ 100 e a inflação persistente elevando as expectativas de juros. Com isso, o bitcoin chega ao CPI com um mapa técnico direto. Se o mercado defender US$ 75.000, o BTC pode retomar US$ 78.000 e tentar novamente a faixa de US$ 80.000–US$ 81.000. Uma perda firme de US$ 75.000 abriria espaço para um teste da média móvel de 200 dias em torno de US$ 72.500. A "golden cross" altista observada nesta semana não foi invalidada, mas, no curto prazo, inflação e liquidez têm ditado o ritmo. Por ora, o próximo passo do bitcoin depende menos do sinal técnico e mais da disposição dos compradores em sustentar US$ 75 mil enquanto os yields se aproximam de 5%.