Endereços ativos de Bitcoin sobem para 980 mil após falha no Coldcard escoar até US$ 100 milhões
Resumo de mercado por IA
Os endereços ativos de Bitcoin dispararam para ~980 mil devido a migrações de fundos de emergência após a Coinkite divulgar uma falha crítica de RNG na Coldcard Mk3, e não por demanda orgânica. Drenagens coordenadas teriam atingido milhares de carteiras há muito tempo inativas, com perdas estimadas de ~1.367–1.596 BTC (US$ 89–US$ 100M+) e risco de novas ondas. O incidente eleva as percepções de risco de segurança e custódia no curto prazo e pode deslocar preferências para custódia institucional via ETFs spot de BTC.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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Em 31 de julho de 2026, o número de endereços ativos na rede Bitcoin chegou a cerca de 980 mil, maior nível desde dezembro de 2024. O dado, porém, não refletiu retomada de apetite por risco: o salto foi provocado por correria para proteger fundos após a divulgação de um problema grave de segurança.
Um dia antes, em 30 de julho, a Coinkite — fabricante das carteiras de hardware Coldcard — publicou um alerta emergencial informando uma vulnerabilidade crítica nos dispositivos Mk3. Com o aviso, milhares de detentores correram para transferir seus bitcoins para endereços considerados seguros, elevando a movimentação na rede sem relação com sentimento de mercado.
A origem da falha remonta ao firmware 4.0.1, lançado em março de 2021. A atualização trazia um defeito no gerador de números aleatórios (RNG), responsável por produzir a entropia que torna a seed phrase criptograficamente segura. A Coinkite recomendou que usuários que geraram seeds com esse firmware tratassem essas seeds como comprometidas e migrassem os fundos imediatamente.
O efeito apareceu na métrica de atividade: os endereços ativos saltaram de aproximadamente 645 mil em 30 de julho para cerca de 980 mil no dia seguinte — alta de mais de 330 mil em 24 horas.
Os atacantes também agiram rapidamente. A drenagem coordenada de carteiras vulneráveis começou em 30 de julho e atingiu entre aproximadamente 4.585 e 7.300 endereços em múltiplas ondas. Os endereços atacados tinham dormência média de cerca de três anos, indicando que os criminosos mapearam carteiras que ficaram paradas desde o período do firmware vulnerável.
As perdas confirmadas dessas investidas ficaram entre 1.367 e 1.596 BTC, o equivalente a cerca de US$ 89 milhões a mais de US$ 100 milhões nos preços atuais. Analistas alertam que, caso novas ondas ocorram, o total pode superar 2.000 BTC, ou aproximadamente US$ 130 milhões.
A Coinkite respondeu com o firmware 5.0.3, lançado no início de agosto de 2026, que corrige o problema no RNG. Para os usuários afetados, o prejuízo já estava materializado: é possível atualizar o firmware, mas não reverter a retirada dos fundos.
O episódio ocorre num momento em que a infraestrutura de investimento em Bitcoin está em transformação. ETFs spot de Bitcoin vêm ampliando ativos sob gestão e oferecendo custódia de padrão institucional a uma parcela crescente de investidores de varejo que antes guardavam as próprias chaves. A avaliação de analistas é que incidentes como este podem acelerar a migração de capital para veículos regulados, com custódia profissional, seguros, auditorias e redundâncias.
Para quem ainda usa Coldcard Mk3, a orientação é objetiva: verificar qual versão de firmware estava ativa quando a seed foi gerada. Se estiver no intervalo afetado, a seed deve ser considerada comprometida, mesmo sem sinais de movimentação. O procedimento recomendado é gerar uma nova seed já no firmware corrigido, transferir os fundos para a nova carteira e tratar o conjunto antigo de endereços como abandonado.