Coreia do Sul amplia teste de CBDC para até 500 mil usuários com tokens programáveis e uso de recursos públicos reais

Resumo de mercado por IA
O Bank of Korea, da Coreia do Sul, está expandindo seu teste do won digital para até 500.000 usuários em nove bancos, adicionando tokens de depósito programáveis e utilizando fundos governamentais reais para o desembolso de subsídios. O desenho combina liquidação de CBDC no atacado com depósitos tokenizados emitidos por bancos, potencialmente remodelando os custos de pagamentos e a conformidade. A medida é institucionalmente significativa para a infraestrutura de dinheiro digital, mas preocupações com privacidade e controle podem restringir a adoção e a aceitação regulatória.
Nível de impacto
● Médio
Ativos afetados
BTC/USDT+1.69%
Insight de IA · BTC/USDTInsight de IA
● Neutro
Negociar agora
⚠️ Os insights gerados por IA são baseados em conteúdo de notícias e fornecidos apenas para fins informativos. Eles não constituem aconselhamento de investimento nem representam as opiniões da BingX. Investir envolve riscos. Negocie com responsabilidade.
A Coreia do Sul vai acelerar de forma significativa seu experimento com moeda digital de banco central (CBDC). O Banco da Coreia (BOK) informou na segunda-feira que a próxima etapa do Projeto Hangang — iniciativa do won digital baseada em blockchain — começa em setembro e será ampliada para nove bancos comerciais, podendo alcançar até 500 mil usuários. Desta vez, o piloto deixará de usar "dinheiro de brincadeira": haverá testes com recursos governamentais reais e novas funções de programabilidade. Balanço da Fase 1 A primeira fase ocorreu entre abril e junho de 2025. Sete bancos e cerca de 12.000 estabelecimentos participaram, totalizando 114.880 transações. Embora alguns relatos indiquem que aproximadamente 81.000 carteiras foram abertas em testes anteriores, só cerca de 42% dos titulares efetivamente gastaram os tokens — um sinal claro de baixa adesão. O HRF CBDC tracker estima que os bancos desembolsaram em torno de 30–35 bilhões de won para construir a infraestrutura que sustentou esses resultados. O que muda na Fase 2 A nova etapa busca simular o uso bancário cotidiano e enfrentar o problema de engajamento. Entre os recursos previstos estão: - Aprovação biométrica (impressão digital) - Transferências pessoa a pessoa entre carteiras - Recargas automáticas a partir de contas bancárias vinculadas - Pagamentos recorrentes automáticos e pagamentos de juros - Emissão de comprovante fiscal - Tokens programáveis de depósitos para testar o repasse de subsídios do governo Pela primeira vez, o piloto usará tokens programáveis para distribuir subsídios governamentais, permitindo restringir o uso dos recursos a determinados fornecedores, finalidades ou janelas de tempo. Segundo um dirigente do BOK citado pela Yonhap, a Fase 2 pretende "lançar as bases para a comercialização". Como o modelo funciona O BOK emite uma CBDC de atacado — moeda digital voltada apenas à liquidação entre instituições financeiras. A partir dela, os bancos comerciais criam tokens de depósitos (representações em blockchain dos depósitos dos clientes) que consumidores e comerciantes utilizam para pagamentos. Kim Dongseop, chefe da equipe de Planejamento de Moeda Digital do BOK, descreveu o desenho como "um meio-termo entre uma CBDC e uma stablecoin". Por que isso importa para consumidores e varejistas Para o público, tokens programáveis de depósitos podem, no futuro, viabilizar o recebimento de benefícios do governo diretamente em uma carteira digital, sem esperar vales ou cheques. Para os comerciantes, pagamentos via tokens podem reduzir taxas de intercâmbio e tarifas de cartão que comprimem margens, com potencial ganho maior em varejistas de alto volume. O piloto vai avaliar, em especial, se os tokens programáveis ajudam a diminuir fraudes e custos de auditoria ao impor regras de gasto no momento do repasse. Participantes e cronograma Os sete bancos originais — KB Kookmin, Shinhan, Hana, Woori, Nonghyup, Industrial Bank of Korea e BNK Busan — serão acompanhados por Gyeongnam Bank e iM Bank. O piloto não terá prazo definido. O Projeto Hangang ganhou peso na agenda sob o novo presidente do BOK, Shin Hyunsong, que o colocou no centro do seu primeiro discurso de política após assumir o cargo em abril de 2026. Movimentos regulatórios e iniciativas privadas O Hana Bank, segundo relatos, está desenhando uma stablecoin lastreada no won (token privado com paridade de 1:1 com a moeda) enquanto Seul discute legislação para stablecoins. O Ministério da Economia e Finanças também propôs atualizar uma lei nacional de ativos com 76 anos para classificar criptomoedas como ativos nacionais, sinalizando mudanças regulatórias mais amplas. Privacidade e preocupações com liberdades civis A programabilidade que torna esses tokens atraentes para governos também acende alertas sobre liberdades civis. Regras que limitam o uso a fornecedores, categorias ou prazos específicos podem ir além de subsídios direcionados: datas de expiração, restrições de gasto ou congelamento de carteiras podem ser aplicados sem as proteções associadas ao dinheiro em espécie. Como toda transação de CBDC fica registrada em um livro-razão acessível ao banco central e a seus parceiros, ativistas apontam tratar-se de uma preocupação estrutural que vale para CBDCs em geral, não apenas para o desenho sul-coreano. O exemplo da China e o contraponto dos EUA Críticos citam o yuan digital da China (eCNY), que já teve datas de expiração em alguns pagamentos de estímulo — medida apresentada por Pequim como forma de evitar retenção de gastos, mas vista por outros como coercitiva. Pesquisadores alertam que o eCNY pode abrir precedente para vigilância financeira controlada pelo Estado. Nos Estados Unidos, o caminho recente foi oposto: uma proibição de quatro anos à emissão de CBDC virou lei em 11 de julho, quando o 21st Century ROAD to Housing Act entrou em vigor sem a assinatura do presidente Trump. Em resumo A Fase 2 do Projeto Hangang eleva o nível do teste: mais usuários, recursos públicos reais e dinheiro programável com potencial para remodelar pagamentos, distribuição de benefícios e a economia dos comerciantes na Coreia do Sul. Ao mesmo tempo, intensifica o debate sobre privacidade e controle estatal em um ambiente em que o dinheiro pode vir "codificado" com condições. Os resultados devem ser acompanhados de perto por formuladores de políticas, bancos, varejistas, defensores da privacidade e outros países que avaliam adotar CBDCs.