Analista da Bloomberg, Eric Balchunas, compara ETFs de Bitcoin ao ciclo histórico de boom e estagnação do ouro
Resumo de mercado por IA
Eric Balchunas, da Bloomberg, argumenta que os ETFs de Bitcoin podem seguir a história dos ETFs de ouro: forte crescimento inicial de AUM e, depois, potencialmente uma estagnação prolongada, porque ambos empacotam reservas de valor sem rendimento, impulsionadas em grande parte pelo sentimento. O IBIT da BlackRock teria caído de um pico breve de aproximadamente US$ 100B para cerca de US$ 60B, enquanto os fluxos mostram uma estabilização ainda incipiente, com as primeiras entradas líquidas semanais desde o início de maio. A narrativa pode moderar as expectativas e aumentar o foco no momentum dos fluxos.
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Em resumo: o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, reduziu seus ativos sob gestão para cerca de US$ 60 bilhões, após ter encostado em um pico temporário de US$ 100 bilhões em outubro. O movimento lembra o que ocorreu com o SPDR Gold Trust (GLD) em 2011, quando o fundo viveu um forte rali e, em seguida, atravessou um longo período de marasmo que durou oito anos antes de voltar aos níveis máximos. Nos EUA, ETFs de criptomoedas registraram na semana passada as primeiras entradas líquidas positivas desde o início de maio.
O analista sênior de ETFs da Bloomberg, Eric Balchunas, disse nesta sexta-feira que os ETFs de Bitcoin podem estar repetindo a trajetória de boom e bust observada no passado em fundos de ouro. Em publicação no X, Balchunas afirmou que os fundos atrelados ao Bitcoin — incluindo o IBIT — compartilham com o GLD uma característica estrutural: são "invólucros" de reservas de valor que não geram rendimento, fluxo de caixa, cupons ou lucro operacional direto. Na visão dele, isso faz com que o desempenho desses produtos dependa sobretudo do humor do investidor, em contraste com ações e títulos, que contam com lastro corporativo ou governamental.
No fechamento desta semana, o IBIT administrava aproximadamente US$ 60 bilhões, abaixo do patamar de US$ 100 bilhões que o veículo da BlackRock alcançou brevemente em outubro passado. A referência histórica citada por Balchunas recorre a 2011, quando o GLD chegou a ultrapassar o SPY e se tornar o maior ETF do mundo, antes de entrar em uma fase de estagnação por oito anos.
Dados da Bloomberg indicam que a expansão limitada da oferta física de ouro e de Bitcoin pode provocar picos acelerados de demanda. Balchunas ponderou, porém, que esse interesse costuma aparecer em ondas cíclicas e intermitentes, em vez de seguir uma trajetória linear e constante.
Nesta sexta-feira, o Bitcoin era negociado em torno de US$ 63.000, acumulando queda de pelo menos 30% em 2026 e recuo de 50% em relação à máxima histórica registrada em outubro. O ouro à vista, por sua vez, operava perto de US$ 4.000 por onça, com baixa de 7% no ano, mas alta de 19% em 12 meses.
A divisão de ativos digitais da BlackRock informou nesta semana que seus ativos sob gestão recuaram 40% na comparação anual no segundo trimestre, para US$ 49 bilhões, ante US$ 80 bilhões no mesmo período do ano anterior. Apesar da tendência de queda ao longo do ano, os dados oficiais de fluxo apontam estabilização recente: na última semana cheia de negociações, ETFs de Bitcoin e Ether nos EUA interromperam a sequência negativa e voltaram a registrar entradas líquidas semanais pela primeira vez desde o começo de maio.