Stablecoins respondem por 94% do volume cripto negociado em pesos na Argentina
Resumo de mercado por IA
Dados da Artemis/a16z indicando que 94% do volume de negocia""o de cripto denominado em pesos da Argentina está em stablecoins destacam a demanda persistente por liquidez atrelada ao dólar e por trilhos de pagamentos, apesar da desinfla""o e do afrouxamento dos controles cambiais. O aumento nos downloads de apps cripto e a ampla ado""o sugerem um uso estrutural, e não apenas fluxos impulsionados por crise. O estreitamento do prêmio das stablecoins em rela""o aos dólares oficiais implica menor fric""o de conversão, mas refor""a as stablecoins como o principal on/off-ramp nos mercados cripto em ARS.
Nível de impacto
● Baixo
Ativos afetados
BTC/USDT-1.30%
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● Neutro
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Principais pontos: dados indicam que 94% do volume de negociação de criptoativos denominado em pesos argentinos é direcionado a stablecoins. Em 2024, os downloads de aplicativos cripto no país avançaram 93% na comparação anual. Em agosto de 2026, os "dólares digitais" foram negociados com prêmio de cerca de 4% sobre o dólar oficial.
O mercado cripto argentino, fortemente ancorado no peso, vem migrando de forma acelerada para tokens atrelados ao dólar. Segundo dados da Artemis citados pela a16z crypto, stablecoins já concentram 94% do volume negociado em pares denominados em pesos. É a maior participação entre as principais moedas fiduciárias acompanhadas pelo provedor.
Na prática, converter pesos em cripto tem se tornado, cada vez mais, um movimento de dolarização via tokens. O fenômeno não se limita às mesas de negociação. Um relatório da a16z crypto publicado no fim de agosto aponta que cerca de um em cada cinco argentinos já utiliza criptomoedas. No mesmo sentido, os downloads dos 15 maiores aplicativos cripto do país cresceram 93% em 2024 na base anual. A Lemon, por exemplo, registrou alta de downloads em todos os trimestres analisados pela a16z, mesmo com a inflação desacelerando. Os números sinalizam atividade cripto sustentada em meio a mudanças no cenário macro, com predominância clara de ativos pareados ao dólar.
Demanda por dólar digital reflete tradição de poupança em moeda forte
A Argentina tem histórico de famílias que preferem poupar em dólares americanos em vez de manter todo o patrimônio em pesos. Essa dinâmica ganhou novo impulso após o retorno dos controles cambiais em 2019, quando pessoas físicas passaram a enfrentar limite de US$ 200 por mês para compra de dólar pelo mercado oficial. Regras adicionais também impediram parte da população de acessar a moeda por canais formais.
Nesse contexto, stablecoins se consolidaram como alternativa para exposição ao dólar: usuários passaram a comprar USDT ou USDC em corretoras e mercados peer-to-peer, manter os tokens em carteira, transferi-los entre endereços ou usá-los para pagamentos internacionais. Diferentemente do sistema bancário tradicional, esses mercados funcionam 24 horas.
O percentual de 94% exige uma ressalva importante: ele se refere ao volume de negociação denominado em pesos, não ao total de criptoativos mantidos por argentinos. O relatório de 2024 da Lemon explicita essa diferença. No recorte de ativos custodiados na plataforma, o Bitcoin representou mais de 36%. Stablecoins somaram cerca de 27%, enquanto pesos argentinos (ARS) responderam por outros 18%. Os 19% restantes ficaram em outras altcoins. Em outras palavras, os fluxos de negociação mostram uma conversão para dólar mais intensa do que o retrato de saldos de longo prazo em carteira.
Inflação recua, mas uso de cripto segue firme
O avanço do "dólar digital" também ocorreu durante um ciclo inflacionário atípico. A inflação mensal passou de 25,5% em dezembro de 2023, e a inflação anual chegou a 289% em abril de 2024. Ainda assim, os dados citados não estabelecem relação causal direta.
A a16z comparou pagamentos em USDC a prestadores de serviço e a inflação, ambos indexados a janeiro de 2024. O gráfico não indica a parcela absoluta de contratados que recebem em USDC. Em julho de 2026, os dois indicadores indexados recuaram para cerca de um quinto de seus picos. No mesmo período, a inflação mensal caiu para 2,1% em julho, após 1,9% em junho. A inflação anual estava em 33,8%, segundo o banco central da Argentina. Apesar da desaceleração, o uso de cripto não acompanhou a queda: os downloads da Lemon continuaram subindo ao longo dos trimestres considerados na comparação da a16z.
Reformas cambiais reduzem prêmios, mas stablecoins seguem dominantes
O quadro voltou a mudar com a flexibilização das restrições ao câmbio. Em 11 de abril de 2025, o banco central removeu limites para compras individuais de moeda estrangeira. Após a mudança, pessoas físicas compraram US$ 2,25 bilhões em ativos externos em abril de 2025.
A reforma também diminuiu a distância entre o dólar oficial e os mercados alternativos. Antes, em alguns momentos de 2023, a diferença entre as cotações oficial e paralela chegou a superar 100%. Stablecoins frequentemente eram negociadas mais próximas do nível do mercado paralelo enquanto o acesso ao dólar oficial permanecia restrito.
Em 28 de agosto de 2026, a diferença já havia encolhido de forma relevante. A a16z estimou que um "dólar digital" custava cerca de 4% acima do dólar no mercado oficial. Mesmo com o acesso oficial mais fácil, stablecoins continuam respondendo pela maior parte do volume cripto negociado em pesos. O uso, porém, envolve riscos diferentes dos associados ao dólar em espécie e a depósitos bancários regulados.
O post "Stablecoin News: Argentina Sees Stablecoins Dominate Peso Crypto Trading" foi publicado originalmente no The Coin Republic.